Roma — Em iniciativa direcionada à proteção da saúde e da segurança no trabalho, o Inail expôs nesta semana protótipos que combinam inovação tecnológica e inteligência artificial com objetivo de prevenir acidentes, apoiar a reabilitação e aprimorar a formação profissional. A apresentação ocorreu no evento “Ia nel mondo del lavoro, la visione umanocentrica dell’intelligenza artificiale”, promovido pelo Ministério do Trabalho e das Políticas Sociais, no espaço da sede do Instituto na via IV Novembre, em Roma.
Segundo levantamento técnico do próprio Inail, a evolução digital e a difusão de tecnologias inteligentes estão transformando processos produtivos e organizacionais e, por consequência, criando novos riscos e novas oportunidades para a prevenção de infortúnios e doenças profissionais. A pesquisa do Instituto, desenvolvida em rede com parceiros acadêmicos e institucionais, busca mapear essas mudanças e produzir soluções aplicáveis ao mundo real.
Entre os protótipos apresentados destaca-se o Side, um exoesqueleto háptico para membro superior projetado para ser integrado a sistemas de realidade virtual e aumentada. Desenvolvido por meio de um edital de pesquisa do Inail, o equipamento replica forças e contatos típicos de operações em ambientes confinados ou potencialmente contaminados — como tanques subterrâneos, tubulações, silos e poços —, permitindo treinos imersivos em segurança. A partir da combinação de estímulos táteis e próprioceptivos fornecidos pelo exoesqueleto, o operador experimenta maior sensação de presença no cenário virtual, o que melhora a aquisição de práticas seguras e possibilita avaliações de preparo em diferentes cenários operacionais.
Outro projeto em destaque é a Smart-Shirt, uma peça wearable colaborativa equipada com sensores capazes de monitorar parâmetros termo-fisiológicos. Fruto da colaboração entre Inail-Dimeila, Ipcb-Cnr, Icmate-Cnr e Irccs Ics Augeri, a camisa sensorizada realiza monitoramento contínuo de sinais como frequência cardíaca, temperatura corporal e atividade motora. Além da função passiva de monitorização, o protótipo incorpora um sistema ativo de resfriamento localizado, com o objetivo de reduzir os riscos associados ao estresse térmico durante atividades físicas intensas ou em ambientes quentes.
Em declaração técnica distribuída à imprensa, a equipe de pesquisa ressaltou que ambos os dispositivos — Side e Smart-Shirt — são protótipos experimentais concebidos para testes de campo e avaliação de eficácia antes de qualquer escala produtiva. Os projetos fazem parte de um portfólio mais amplo de soluções que o Inail vem desenvolvendo para interceptar necessidades dos trabalhadores e mitigar riscos emergentes decorrentes do uso crescente de tecnologia no trabalho.
O enfoque institucional segue uma linha humanocêntrica: usar a inteligência artificial e a robótica não apenas para automatizar tarefas, mas para fortalecer a prevenção, aprimorar a formação e apoiar a reabilitação e a prótese quando necessário. Em termos práticos, a integração entre sensores corporais, dispositivos hápticos e ambientes virtuais permite criar cenários de treino mais realistas, mensurar respostas fisiológicas e comportamentais, e definir protocolos de segurança calibrados à exposição real dos trabalhadores.
Da apuração in loco ao cruzamento de fontes técnicas, os fatos brutos indicam que a pesquisa aplicada do Inail já opera em parceria com centros de pesquisa e instituições de saúde para transformar protótipos em instrumentos úteis à prevenção. O próximo passo, segundo os pesquisadores, é ampliar testes em ambientes operacionais controlados e validar métricas de eficácia que sustentem futuras aplicações industriais e normas técnicas.
O avanço dessas iniciativas será acompanhado de perto por agentes institucionais, empregadores e representantes sindicais, uma vez que a adoção de tecnologia em contexto laboral exige tanto inovação quanto regulação para garantir que ganhos de produtividade não se revertam em novos riscos para a saúde dos trabalhadores.






















