Em pronunciamento no evento Progetto Donna, realizado em Milão pela Ordem dos Engenheiros da Província, a subsecretária de Estado do Ministério da Educação e do Mérito, Paola Frassinetti, destacou a necessidade de enfrentar o persistente gap de gênero na escolha das disciplinas científicas desde a escola básica.
“Tudo o que se discute não pode ser dissociado do sistema educativo, pois é na escola que se imprimem os percursos de meninos e meninas”, afirmou Frassinetti. A avaliação, com base em cruzamento de dados oficiais, aponta diferenças claras nas trajetórias: mais de 60% das alunas concluem o ensino secundário de caráter geral (liceu), contra 39,5% dos alunos. No entanto, apenas 19,5% das meninas escolhem o liceu científico, ante 26% dos meninos. No ensino técnico, especialmente na vertente tecnológica, a proporção feminina é ainda menor: 21% das meninas concluem o curso, contra 42,6% dos meninos; no segmento tecnológico específico, 6,8% das meninas versus 30% dos meninos.
Frassinetti atribuiu parte do problema à forma como as disciplinas são ensinadas: “Depende também de como se ensina a matemática. Se muitas vezes ela se transforma num ‘bicho-papão’, sobretudo para meninas, há um motivo”, disse, ressaltando que a intervenção precisa atuar na raiz dos mecanismos de aprendizagem e das metodologias adotadas.
Como resposta, o ministério tem priorizado o potencial das disciplinas STEM (ciências, tecnologia, engenharia e matemática). Entre as medidas anunciadas estão diretrizes específicas para essas áreas e a implementação de um plano trienal da oferta formativa nas escolas para ativar metodologias científico-tecnológicas. Para financiar a iniciativa, foram destinados 600 milhões de euros com o objetivo declarado de elevar o nível de ocupação feminina e tornar essas matérias mais atraentes para alunas.
Outra frente de ação consiste na formação continuada de docentes, com percursos específicos para educadores, e na expansão de laboratórios imersivos que aproximem a matemática e as ciências da aplicação prática, reduzindo a percepção de memorização mecânica e favorecendo o raciocínio aplicado. “A matemática não é decorar fórmulas, é entender como aplicá-las”, afirmou Frassinetti, defendendo metodologias ativas que dialoguem com uma tendência mental feminina apontada como mais concreta e aplicada.
Os dados citados pela subsecretária também sinalizam impacto no mercado de trabalho: a taxa de ocupação feminina nas áreas de Ciências e Matemática e nas áreas de Informática, Engenharia e Arquitetura é cerca de dez pontos percentuais inferior à masculina. Para Frassinetti, esse é um indicador objetivo que exige intervenção coordenada entre escolas, formações docentes e investimento em infraestruturas educacionais voltadas às STEM.
Em tom de apuração direta e cruzamento de fontes, a fala da subsecretária no Progetto Donna delineia um plano prático — investimento financeiro, guias pedagógicos e formação docente — para reverter um padrão estrutural. A proposta busca, em suma, deslocar a decisão sobre percursos científicos desde os primeiros ciclos escolares, reduzindo desigualdades e ampliando a presença feminina em áreas essenciais para a economia do conhecimento.

















