Em entrevista à Adnkronos/Labitalia, Raffaello Napoleone, presidente da IT-EX, reafirmou o papel estratégico das feiras como vetor central de internacionalização para a indústria italiana. Fundada em 2024 com a missão de sustentar as grandes feiras internacionais do país, a IT-EX reúne 47 eventos, com 26 mil expositores — dos quais 11 mil são estrangeiros — e registra 2,8 milhões de visitantes, incluindo 750 mil internacionais.
Segundo Napoleone, os números traduzem uma lógica clara: «Na prática, 5% das empresas italianas responde por 80% das exportações do país». É esse núcleo exportador que, na avaliação do presidente da associação, encontra nas feiras a via mais direta para acessar mercados internacionais, em especial num momento de conjuntura global complexo, persistente há pelo menos cinco anos.
Os dados da IT-EX reforçam a tese. Para 81% dos expositores associados, a participação em feiras é importante para o crescimento da empresa. Além disso, as vendas geradas por compradores conhecidos durante os eventos organizados por IT-EX somam cerca de 40 bilhões de euros por ano. Esses números sustentam a posição institucional da associação e sua estratégia de diálogo contínuo com as autoridades.
Napoleone citou interlocuções formais com o MAECI (Ministério dos Negócios Estrangeiros) — que inclui o ICE (Instituto do Comércio com o Exterior) — e com o MIMIT, destacando projetos como o plano de ação do vice-primeiro-ministro Tajani e o plano do ministro Urso para o Made in Italy. «Esses ministérios estão verdadeiramente próximos do sistema feiras», afirmou.
Na visão do presidente da IT-EX, as feiras devem incorporar uma «dupla alma»: uma dimensão nacional, consolidada nos polos feirísticos italianos e representada também pela associação AEFI; e uma dimensão internacional, a partir da qual se pode direcionar a presença empresarial conforme as oportunidades conjunturais internacionais.
Do ponto de vista geográfico e estratégico, Napoleone indicou mercados prioritários para expansão: Japão, Sudeste Asiático, Oriente Médio — com ênfase em Dubai e Emirados — e uma Arábia Saudita em acelerada movimentação, além da expectativa em torno da Expo que ocorrerá no país daqui a cinco anos. Para o dirigente, essas regiões oferecem janelas importantes de agregação comercial e networking, em especial para a manufatura italiana.
Em síntese, a IT-EX apresenta-se como articuladora institucional e operacional do sistema feiral italiano: um ecossistema que combina visitantes, expositores e compradores internacionais e que, segundo Napoleone, funciona como a verdadeira «locomotiva» capaz de empurrar empresas nacionais para os mercados externos, em um contexto geopolítico e econômico que exige estratégias coordenadas e políticas públicas alinhadas.
Apuração in loco da entrevista e cruzamento de fontes oficiais da IT-EX e das instituições citadas consolidam os fatos aqui relatados: números de eventos, expositores e visitantes, bem como os valores de vendas associadas às relações estabelecidas em feiras, confirmados pela própria associação.






















