Em entrevista ao Adnkronos/Labitalia, Raffaello Napoleone, presidente da IT-EX — a associação que representa as feiras italianas de alcance internacional — desenhou um plano objetivo: elevar a exportação italiana dos atuais 630 bilhões para 700 bilhões de euros nos próximos três anos. A avaliação é firme e centrada em fatos: as feiras são, segundo Napoleone, um instrumento prático e mensurável para sustentar o setor manufatureiro.
“Há necessidade de uma grande ação que produza o resultado que todos desejamos: passar de 630 bilhões de exportações do nosso país para 700 bilhões no decorrer dos próximos três anos”, afirmou Napoleone. Para o presidente da IT-EX, a eficácia das feiras decorre do seu princípio básico de agregação: reunir em um mesmo espaço as capacidades criativas e qualitativas do sistema industrial italiano para potencializar a visibilidade e os negócios das empresas, sejam elas grandes ou pequenas.
Napoleone destacou o contraste entre a atuação isolada da empresa e o potencial coletivo: a performance de uma empresa depende do seu faturamento, organização e histórico, mas a soma das capacidades distintivas do sistema industrial atinge seu máximo quando existe representação agregada e bem projetada. Nesse sentido, as feiras atuam como catalisadoras do Made in Italy e da competitividade internacional.
Outro ponto levantado na entrevista é o papel crescente das missões diplomáticas. “Um dos grandes veículos sobre os quais precisamos trabalhar é justamente o sistema das embaixadas italianas, que estão mudando seu papel, ampliando o suporte comercial e de imagem às nossas empresas e ao Made in Italy nos diversos países”, explicou Napoleone. O cruzamento de fontes junto a operadores setoriais confirma que cooperação público-privada nas áreas comerciais tem sido priorizada em recentes estratégias de internacionalização.
Na análise técnica, Napoleone afirma que o país detém posições de liderança absoluta em setores específicos. “Através das feiras quando realizadas na Itália, e por meio de eventos internacionais quando vamos ao exterior, conseguimos reforçar essa posição”, disse. A sugestão é aumentar a participação agregada, com projetos de alta qualidade que assegurem a afirmação da liderança italiana nos mercados globais.
Quanto à tecnologia, o presidente da IT-EX aponta que as novas ferramentas serão centrais no futuro do setor feiral. “Fala-se muito sobre inteligência artificial; há exemplos, mas a prática ainda é escassa por falta de know-how e de profissionais capacitados. Certamente as novas tecnologias farão parte integrante do setor, especialmente na gestão de relações com compradores e de todo o ecossistema ligado às feiras”, avaliou.
Napoleone reforça que, apesar do potencial da tecnologia, permanece essencial a concentração na excelência artesanal italiana: “A IA será importante também do ponto de vista da criatividade, ao oferecer linhas de referência sobre o que está ocorrendo. Mas é central manter o foco na Itália do saber-fazer: produtos bem feitos, feitos à mão e com alta qualidade”.
Apuração e cruzamento de dados com especialistas do setor confirmam a leitura apresentada: as feiras funcionam como plataformas de mercado que, integradas a políticas públicas e ao uso estratégico de tecnologia, podem acelerar a meta de atingir 700 bilhões em exportação. A proposta de Napoleone delineia um caminho prático e mensurável, ancorado na agregação do sistema industrial italiano e no suporte institucional no exterior.
Em síntese: a estratégia proposta é técnica e objetiva — ampliar a presença qualificada em feiras, mobilizar redes diplomáticas comerciais e integrar novas tecnologias — para transformar o potencial do Made in Italy em resultados econômicos concretos nos próximos três anos.






















