Roma, 27 de fevereiro de 2026 — Em pronunciamento durante o evento “Ia e lavoro: governare la trasformazione, moltiplicare le opportunità”, o presidente do Inps, Gabriele Fava, defendeu a adoção de um Piano Marshall para o governo da inteligência artificial. Para Fava, a medida é determinante para a sustentabilidade do sistema público, para a competitividade da Itália e para a reinserção e futuro das novas gerações, dos mais velhos e de toda a população.
“Serve um Piano Marshall sobre o governo da inteligência artificial. É fundamental para a sustentabilidade do sistema, para a competitividade de nossa nação, e para o futuro dos nossos jovens”, declarou Fava. O presidente frisou que o debate não é só nacional: “Há também representações internacionais presentes, porque é importante partilhar práticas e construir um sistema coletivo”.
Na sua exposição, Fava traçou um panorama histórico e institucional: quem tem alguns anos recorda a burocracia presencial — entrar num escritório, preencher formulários, aguardar a vez. Em poucas décadas, o relacionamento com as instituições transformou-se: pedidos migraram para plataformas digitais, benefícios passaram a ser processados sem carimbos físicos, comunicações ficaram disponíveis em caixas digitais.
Segundo o presidente do Inps, a chegada da inteligência artificial introduz uma nova camada de mudança. “A IA não altera apenas a forma dos serviços; ela interfere na maneira como informações, decisões e direitos são tratados”, disse Fava. A pergunta chave, na sua visão técnica, é: quando parte das decisões é mediada por sistemas digitais inteligentes, o que muda no pacto social? E qual deve ser o papel das instituições responsáveis por garantir equidade, sustentabilidade e transparência ao longo do ciclo de vida laboral?
Fava propôs uma tese direta e institucional: os órgãos previdenciários são o ponto onde a velocidade dos algoritmos deve ser confrontada com a justiça devida aos cidadãos. “Se não conciliarmos essas duas dimensões, corremos o risco de comprometer a credibilidade de um sistema de welfare avançado — a confiança”, alertou.
O presidente recordou medidas práticas tomadas desde o início do seu mandato para reconquistar essa confiança. Em dezembro de 2024, o Inps lançou uma nova aplicação móvel, desenhada para ser simples e intuitiva, comparável aos aplicativos bancários. O resultado, sublinhou Fava, foi rápido: em pouco mais de um ano, a app ultrapassou 5 milhões de downloads e registrou cerca de 300 milhões de acessos reais.
Mais dados do levantamento do próprio Instituto reforçam o caráter demográfico da transformação digital: aproximadamente 60% desses 300 milhões de acessos provêm de menores de 34 anos — um sinal claro de que os jovens estão absorvendo as interfaces digitais do sistema previdenciário.
Fava ressaltou ainda que, em junho do ano anterior, o segundo estágio da estratégia digital foi voltado especificamente aos jovens, com medidas concretas destinadas a homens e mulheres dessa faixa etária. O presidente voltou a sublinhar que a digitalização dos serviços é condição necessária, mas não suficiente: “A velocidade dos algoritmos exige robustez institucional. É preciso um projeto amplo, coordenado e com regras claras”.
O apelo final do presidente foi por um plano nacional que combine investimento, regulação e formação: um Piano Marshall que garanta que a inteligência artificial opere como alavanca de competitividade sem diluir direitos e sem sacrificar a confiança pública. A proposta aponta para uma abordagem integrada entre administração pública, operadores privados, universidades e organismos internacionais, com ênfase em governança, transparência e proteção social.
Apuração e análise em Roma por Giulliano Martini — reportagem baseada em fala pública do presidente do Inps durante o evento institucional e em dados oficiais fornecidos pela própria instituição.






















