Por Giulliano Martini — Apuração com cruzamento de fontes e análise do relatório de Tack TMI Italy.
Um levantamento realizado pela Tack TMI Italy, divisão de learning & development do grupo Gi Group Holding, coloca em evidência como estereótipos de gênero e práticas discriminatórias dificultam a progressão profissional das mulheres em empresas italianas. O estudo, intitulado “Oltre le diversità: percezioni, esperienze e bisogni”, foi conduzido com uma amostra de 1.500 trabalhadores empregados na Itália e apresenta dados que expõem vieses persistentes no imaginário coletivo e no ambiente de trabalho.
Segundo a pesquisa, quase metade dos entrevistados (46%, incluindo homens e mulheres) associou a imagem do top manager ao rosto de um homem caucasiano de meia-idade; apenas 29% identificaram, em segundo plano, uma mulher caucasiana de meia-idade no mesmo papel. Esse dado evidencia que o gênero, alimentado por estereótipos, ainda molda quem é percebido como apto a ocupar posições de liderança. Em complemento, 42% dos respondentes afirmaram que “os homens têm maior propensão a ocupar cargos de gerência e responsabilidade”.
O relatório também mapeia associações profissionais tradicionais: mais da metade da amostra (57%) vinculou a função administrativa a uma mulher caucasiana. No campo das discriminações, 38% consideraram que as ocorrências baseadas no gênero são as mais frequentes. Entre os que relataram ter sofrido discriminação no trabalho, a maioria são mulheres (36%), que apontam o gênero como uma das causas principais desses episódios.
“Quando perguntamos quais diversidades deveriam ser melhor geridas dentro das empresas, a diversidade de gênero se confirmou entre as mais relevantes, com 23%”, comentou Irene Vecchione, administradora delegada da Tack TMI Italy. Em sua declaração, Vecchione sublinha a necessidade dupla: além de enfrentar os bias estruturais, é preciso construir uma cultura organizacional que redefina liderança. “A liderança não deve ser vista como um rótulo ou comando, mas como um conjunto de competências que se constroem, treinam e manifestam no comportamento cotidiano — incluindo cuidado das relações, escuta ativa e a capacidade de ajudar outros a desenvolver talento”, afirmou.
Na avaliação da Tack TMI Italy, além de atributos já reconhecidos — como agentividade, assertividade, empatia, inteligência emocional, autonomia financeira e networking —, há hoje três competências prioritárias que as mulheres devem exercitar para expressar plenamente seu potencial executivo. A empresa destaca e detalha essas áreas como estratégicas para reduzir a lacuna entre percepção e realidade profissional:
- Visibilidade profissional e autopromoção: aprender a comunicar conquistas e resultados de forma estratégica, sem que isso seja percebido como desalinhamento com normas culturais de comportamento feminino.
- Negociação e gestão da carreira: capacitação em negociação salarial e de cargos, planejamento de trajetórias e interlocução assertiva com lideranças e RH, ferramentas que corrigem assimetrias de poder.
- Construção estratégica de redes e autonomia financeira: ampliar relações profissionais de alto impacto e desenvolver autonomia econômica, elementos que aumentam independência e capacidade de decisão.
Essas recomendações acompanham a proposta de ampliar o significado de liderança — do estereótipo do comando para um repertório comportamental reconhecido e valorizado pelas organizações. Na prática, segundo a Tack TMI Italy, isso significa implementar políticas de desenvolvimento que combinem formação técnica com treino de comportamentos, mentoria e programas estruturados de networking.
Os achados do relatório reforçam que, para alterar o status quo, não basta criar iniciativas pontuais: é necessária uma intervenção sistêmica que reúna diagnóstico de bias, medidas de equidade de carreira, transparência salarial e ações de desenvolvimento contínuo. Na linha de apuração e cruzamento de fontes adotada por esta redação, os números apresentados indicam que a mudança cultural nas empresas é condição necessária para que as mulheres sejam reconhecidas e promovidas segundo competência, não segundo estereótipo.
Conclusão: o estudo da Tack TMI Italy oferece um raio-x claro das barreiras ainda em vigor e aponta competências concretas para treino. A leitura crítica dos dados aponta para duas frentes simultâneas — combater discriminação estrutural e equipar as profissionais com ferramentas práticas para navegar e transformar o próprio percurso profissional.






















