Lienz surge, por vezes discretamente, como a segunda perla das Dolomitas, rivalizando em beleza com Cortina, embora separada por cadeias montanhosas e cerca de 80 km de estrada. Em plena cobertura dos Jogos Olímpicos Invernais de Milano‑Cortina, a cidade austríaca encontrou espaço num cenário internacional que, em geral, privilegia destinos mais badalados. A diferença, no entanto, é nítida: disponibilidade de alojamento, preços mais moderados e um turismo de perfil sustentável e slow, resultado de um desenvolvimento turístico contido e planejado.
Com aproximadamente 12.000 habitantes e 673 metros de altitude, Lienz é capital do Tirolo Oriental (Osttirol), uma exclave do Estado federado do Tirol que se estende dos Alti Tauri até as Dolomitas. Essa posição periférica — longe dos fluxos de massas turísticos — foi determinante para que a palavra overtourism praticamente não fizesse parte do vocabulário local. É, portanto, um destino que vale a conferida entre uma e outra prova olímpica: menor pressão, infraestrutura adequada e oferta diversificada de atividades ao ar livre.
O acesso desde o lado italiano é direto: Lienz está a cerca de 38 km da fronteira, pela Val Pusteria. Ao deixar San Candido/Innichen entra‑se no Tirol Oriental, composto por 33 municípios e dominado por 266 picos que atingem os 3.000 metros, sobretudo no entorno do Parque Nacional dos Altos Tauern, com o Großvenediger e o Großglockner — este último com 3.798 metros, a montanha mais elevada da Áustria.
O lado ensolarado das encostas torna a região atraente para o esqui alpino, mas a oferta vai além: de caminhadas com raquetes (snowshoeing) a ciclismo de montanha, passando pela escalada no gelo. Há ainda atividades promovidas como tendências de bem‑estar, tais como o winter hiking em Kartitsch — o primeiro vilarejo austríaco dedicado ao trekking na neve — e o ice bathing no lago Tristacher, onde a imersão em águas próximas aos 3 ºC é promovida como reforço imunológico. Práticas de forest bathing também são oferecidas para quem busca uma experiência sensorial e regenerativa na natureza.
Para ciclistas e turistas em busca de roteiros tranquilos, Lienz é o ponto final de uma das pistas cicláveis mais apreciadas das Dolomitas: a ligação San Candido‑Lienz, um trajeto de aproximadamente 40 km que segue o curso do rio Drava e atravessa um dos trechos mais cenográficos da Val Pusteria. O percurso é classificado como de baixa dificuldade, atraindo famílias e cicloturistas em geral.
No plano histórico e arquitetônico, Lienz mantém traços significativos da sua trajetória. O domínio dos Condes de Gorizia moldou boa parte do centro histórico, e a antiga residência nobre — o Castelo de Bruck, a oeste da cidade — figura entre os monumentos mais visitados: a capela com afrescos do século XV é destaque em roteiros culturais e de património.
Da perspectiva de apuração in loco e cruzamento de fontes, o retrato que se impõe é de um destino que conjuga qualidade de vida, acesso facilitado pela Val Pusteria e atividades de inverno e verão que seguem padrões de baixo impacto. Lienz oferece, em síntese, fatos brutos que merecem atenção: não é apenas uma alternativa a Cortina, mas um exemplo de turismo de montanha que prioriza sustentabilidade e experiência.
Recomendação prática: considere visitar Lienz entre eventos ou provas de interesse em Milano‑Cortina — a cidade responde bem a deslocamentos curtos e entrega uma experiência menos congestionada e mais autêntica do Tirol orientale.






















