Roma — A Cida (Confederação Italiana dos Dirigentes e das Altas Profissionais) identifica no Livro Branco ‘Made in Italy 2030’, do MIMIT (Ministério das Empresas e do Made in Italy), uma orientação estratégica correta para a política industrial. Contudo, na avaliação oficial apresentada pelo presidente Stefano Cuzzilla, a transposição dessa visão para decisões operativas é o teste decisivo.
“O Livro Branco aponta com precisão as grandes diretivas que definirão a competitividade do país nos próximos anos”, afirmou Cuzzilla. “A verdadeira prova será transformar essa visão em decisões operativas, com uma governança estável, instrumentos de avaliação e uma capacidade executiva capazes de garantir continuidade às políticas industriais no tempo”.
Na leitura da Cida, o ressurgimento do conceito de Estado estratega só terá efeito prático se for acompanhado por métodos claros de policy making: objetivos mensuráveis, coordenação entre os diferentes níveis institucionais, monitoramento dos impactos e atualização contínua das estratégias com base em resultados observáveis. Sem uma robusta capacidade de execução, mesmo as melhores definições correm o risco de permanecer no papel.
O documento do ministério, segundo a confederação, acerta ao integrar as grandes transições — demográfica, geopolítica, digital e energética-ambiental — como elementos simultaneamente condicionantes da competitividade, da organização do trabalho e da estrutura das cadeias produtivas. “Encarar essas transições de forma integrada é reconhecer que crescimento, produtividade e coesão social são temas inseparáveis”, disse Cuzzilla.
Um ponto central da crítica técnica da Cida recai sobre o capital humano. O Livro Branco enfatiza corretamente a importância da formação contínua, da regeneração de competências e da valorização de perfis seniores. Para Cida, a formação deve ser elevada a uma alavanca gerencial da política industrial, envolvendo não apenas camadas técnicas, mas também os níveis de direção das organizações. As competências digitais e ambientais são, na visão da confederação, não apenas habilidades técnicas, mas capacidades de governança dos processos produtivos e organizacionais.
Investir em formação, conclui a entidade, é reforçar a produtividade e a competitividade sistêmica. “A competitividade futura não se jogará apenas nos investimentos em capital físico e produto, mas na capacidade de governar processos cada vez mais complexos e de transformar a inovação tecnológica em valor econômico e social”, sintetizou Cuzzilla.
Outro elemento destacado na avaliação é a preferência por intervenções seletivas e orientadas por dados. A Cida saúda a proposta do ministério de superar lógicas de estímulos genéricos em favor de mecanismos que privilegiem setores, filières e projetos com maior potencial de impacto. O uso sistemático de dados para avaliar eficácia, eficiência e efeitos colaterais das políticas é, para a confederação, condição mínima para evitar desperdícios e assimetrias territoriais.
Por fim, a confederação sublinha a necessidade de instrumentos de monitorização e avaliação permanentes que permitam realimentar as decisões públicas: indicadores claros, ciclo de revisão periódica e dispositivos para garantir a continuidade administrativa e político-institucional das intervenções estratégicas.
Em suma, a posição técnica da Cida é de respaldo crítico: reconher a validade estratégica do Livro Branco ‘Made in Italy 2030’, mas exigir que essa visão seja traduzida em capacidades executivas, competências profissionais e políticas seletivas que produzam resultados mensuráveis. “Sem execução e métodos de avaliação, a visão corre o risco de permanecer retórica”, conclui Cuzzilla, numa chamada direta à ação coordenada entre Estado, empresas e dirigentes.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e exame técnico das propostas compõem a leitura fria e direta que a Cida entrega ao debate público. A realidade traduzida pelo documento é clara: a estratégia existe; falta, ainda, o motor operacional para que ela gere efeito real na economia italiana.






















