Roma, 27 de fevereiro de 2026 — Em pronunciamento à margem do encontro “Ia e lavoro: governare la trasformazione, moltiplicare le opportunità”, a ministra do Trabalho e das Políticas Sociais, Marina Calderone, avaliou o impacto da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho: “L’intelligenza artificiale, così come dicono anche tante ricerche a livello internazionale, certamente comporterà un riposizionamento e soprattutto anche un rischio su alcune posizioni lavorative ma quello che dicono le ricerche internazionali è che invece porterà alla fine un saldo positivo in termini di nuove opportunità di lavoro”.
No seu discurso, Calderone pintou um quadro dual: reconheceu os potenciais efeitos disruptivos em postos específicos, mas reforçou que, segundo estudos internacionais, o balanço final deve ser positivo em termos de novas oportunidades. A ministra enquadrou a transformação no eixo das políticas públicas de qualificação: “Il tema ovviamente è un tema connesso alla strategia sulle competenze, alla formazione e alla riqualificazione dei lavoratori, all’attenzione a dare una risposta in termini di competenze digitali delle persone”.
Em termos práticos, o Ministério tem ações em andamento. Calderone afirmou que o governo está “formando migliaia di persone proprio per trasferire competenze digitali che sono fondamentali in questo contesto”. A iniciativa combina treinamento técnico e atualização de habilidades transversais para minimizar perdas de emprego e maximizar aproveitamento das novas funções surgidas com a automação e a adoção da IA.
Ao adotar o tom técnico que caracteriza sua gestão, a ministra evitou tanto o otimismo simplista quanto o pessimismo alarmista: “La nostra non è una visione pessimistica, dobbiamo certamente avere attenzione a quelli che possono essere i potenziali contraccolpi negativi, ma la risorsa umana è fondamentale, l’intelligenza artificiale deve essere al servizio del lavoro ovviamente di qualità”. A frase sintetiza a linha política anunciada: a requalificação e a formação são pilares para que a tecnologia impulse, e não substitua de forma desigual, o capital humano.
Do ponto de vista de políticas públicas, a declaração de Calderone remete a algumas prioridades operacionais: mapear as profissões com maior exposição à automação, desenhar percursos de transição para trabalhadores em risco, e ampliar o acesso às competências digitais em todos os níveis educacionais e profissionais. Especialistas citados em estudos internacionais consultados pelo Ministério apontam que a criação líquida de empregos ocorre quando investimentos em capacitação acompanham a difusão tecnológica.
Esta posição foi apresentada em Roma, durante um evento que debateu governança da inovação e implicações laborais. A fala da ministra segue o fio condutor de políticas europeias voltadas para a preparação da força de trabalho frente à revolução digital: combinação de diagnóstico, formação massiva e medidas de proteção social para transições profissionais.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e acompanhamento das iniciativas do Ministério serão essenciais para avaliar, nos próximos meses, se os programas anunciados realmente traduzirão as promessas em colocação e qualidade de emprego. A realidade traduzida hoje: a IA traz riscos setoriais, mas também oportunidades — desde que a política pública organize a resposta em torno de formação e requalificação.





















