Por Giulliano Martini — O fenômeno do brunch consolidou-se na Itália como prática gastronômica e ritual social. Importado do mundo anglo-saxão, o brunch combina elementos de colazione e pranzo e ocupa sobretudo as manhãs e primeiras horas da tarde de sábados e domingos, quando tempo e convivência estão do lado do comensal. A realidade traduzida por observação direta e cruzamento de fontes aponta que a oferta se diversificou: hoje o brunch é servido tanto em hotéis cinco-estrelas quanto em locais cool e conceituais.
Na sua essência, o brunch conserva os clássicos do café da manhã — ovos em variantes múltiplas, pancakes, avocado toast, croissants e bolos — e os integra com preparações salgadas e pratos mais substanciosos, por vezes próximos ao costume do pranzo italiano. O resultado é um cardápio híbrido que valoriza ingredientes sazonais e produtos locais, sem perder referências internacionais.
Roma
Em Roma, o retorno do Sunday Brunch no Rome Cavalieri, A Waldorf Astoria Hotel, consolidou novamente uma tradição que o próprio hotel ajudou a estabelecer na Itália no início dos anos 1990. A informação obtida junto à assessoria confirma que o evento ocorre aos domingos, em um percurso gastronômico instalado no parque mediterrâneo que domina Monte Mario, com vista sobre a cidade.
O formato combina estações de live cooking — onde a equipa liderada pelo executive chef Nicholas Cuomo prepara no momento pratos da cozinha italiana e criações contemporâneas — e um buffet amplo, com ênfase em matérias-primas de qualidade e ingredientes sazonais. Do lado das sobremesas, as criações do executive pastry chef Dario Nuti compõem a oferta. O brunch é familiar: enquanto crianças usufruem do Kids Club, adultos exploram as estações gastronômicas em ambiente refinado. Para 2026, a casa já programou edições especiais, incluindo datas comemorativas como o Dia das Mães e a Páscoa. O preço divulgado para adultos é de 115 euros por pessoa, com opções adaptadas para crianças.
Milão
Em Milão a cena do brunch combina hotéis de luxo com cafés e espaços gastronômicos de vanguarda. A oferta milanesa privilegia a experimentação: menus que misturam tradições locais e técnicas internacionais; presença constante de ovos preparados de múltiplas maneiras, pratos de massa servidos em porções que remetem ao almoço, e sobremesas elaboradas. Bairros com forte presença de conceitos gastronômicos e lifestyle têm servido de palco para experiências que vão do brunch clássico ao encontro gastronômico informal.
Florença
Na Toscana, e em especial em Florença, o brunch tende a valorizar produtos regionais: pães artesanais, queijos e embutidos locais, além de preparações doces que dialogam com a tradição pastelaria italiana. Espaços em torno do centro histórico e no Oltrarno combinam hospitalidade intimista com curadoria cuidadosa de produtos sazonais, resultando em propostas que olham para o passado regional sem abandonar a contemporaneidade.
Palermo
Em Palermo, a cena do brunch reflete a riqueza dos ingredientes sicilianos: frutas cítricas, produtos do mar, e uma doçaria marcada por influências mediterrâneas. Locais descontraídos e hotéis boutique têm ampliado a oferta, muitas vezes propondo menus que articulam sabores locais com formatos importados — do pancake à interpretação local de pratos salgados para compartilhar.
Apuração in loco e cruzamento de fontes mostram que o brunch cumpre hoje duas funções distintas: é, ao mesmo tempo, um momento de lazer gastronômico e uma vitrine para valorizar produtos e técnicas locais. Seja em uma sala aristocrática de hotel ou em um café de bairro, o que une as propostas é a busca por convivialidade, qualidade de ingredientes e uma experiência desenhada para ser compartilhada.
Fatos brutos: o brunch nasceu na Inglaterra no final do século XIX, foi consagrado nos Estados Unidos no ambiente hoteleiro como encontro dominical e hoje está plenamente adotado na Itália, com formatos que variam conforme cidade e conceito. O mapa atual do brunch italiano inclui desde o ritual tradicional em hotéis de luxo até versões cool em cafés e espaços independentes, tornando-o um fenômeno cultural e econômico que segue em expansão.






















