Por Giulliano Martini. Em entrevista longa ao Adnkronos/Labitalia, Francesco Baroni, presidente da Assolavoro, traçou a road map das agências privadas de emprego para 2026, com foco claro na inclusão dos inativos e na eficácia das políticas ativas de emprego. A avaliação é técnica, baseada em cruzamento de dados e na observação direta do mercado.
Baroni lembra que 2025 fechou com um crescimento relevante no nível de emprego, resultado que merece atenção por ser sustentado, em larga medida, por contratos a tempo indeterminato. “Este dado demonstra que parte das apreensões sobre a precariedade pode estar superestimada”, afirma. Ainda assim, o presidente destaca que a redução dos inativos ao longo de 2025 foi apenas marginal — um ponto que exige ação imediata.
Para 2026, a previsão das agências é de continuidade: um ano com manutenção dos níveis de emprego, apesar do quadro de incerteza internacional e de uma trajetória de crescimento do PIB que deve permanecer fraca. É nesse cenário que Baroni pede um esforço coordenado entre setor público e privado para implementar políticas ativas realmente operativas e de longo prazo.
Quanto à composição da recuperação, o presidente de Assolavoro sublinha que o aumento da ocupação foi mais expressivo entre os mais de 50 anos. No entanto, para expandir ganhos a jovens e mulheres, torna-se imprescindível um reposicionamento estrutural: “Orientação profissional e formação dirigida ao mercado são ações prioritárias. O país ainda registra um desalinhamento relevante entre expectativas formativas e necessidades reais das empresas”, explica Baroni.
Baroni defende um “cambio di passo” cultural e operativo: percursos formativos mais específicos, com foco em reduzir o mismatch de competências, e políticas que coloquem as pessoas em condições de se reciclar profissionalmente. O diagnóstico é claro — o atualização contínua deixou de ser opcional para virar condição de empregabilidade.
No que toca ao setor das agências de trabalho temporário (lavoro in somministrazione), Baroni antevê um 2026 de continuidade com 2025, com demanda estável e as agências prontas a desempenharem papel central no mercado de trabalho. As empresas do setor estão preparadas para colaborar mais intensamente com instituições públicas e programas de formação profissional.
O recado final é pragmático: políticas ativas bem desenhadas, parceria público-privada robusta e formação orientada ao mercado são as ferramentas essenciais para converter a situação macroeconômica moderada em resultados sustentáveis de emprego para segmentos hoje ainda à margem.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e foco em fatos brutos: a realidade traduzida pelo relato de Baroni aponta caminhos concretos para mitigar a inatividade e alinhar competências à demanda real das empresas.






















