Roma, 23 de janeiro de 2026 — Em apuração in loco e cruzamento de fontes com entidades do setor, a Assopannelli, associação da FederlegnoArredo que representa produtores de painéis e semielaborados, e a European Panel Federation (EPF) soaram o alerta sobre os efeitos do CBAM (mecanismo de ajustamento do carbono às fronteiras).
Reunidas na sede da FederlegnoArredo, as entidades pediram a suspensão imediata da aplicação do CBAM à ureia industrial — matéria-prima essencial para colas, resinas e a fabricação de painéis de madeira empregados na construção e no mobiliário. Em vigor desde 1º de janeiro de 2026, o mecanismo tributa as emissões de carbono incorporadas em produtos importados, e inclui a ureia na sua lista de mercadorias afetadas.
Segundo estimativas apresentadas por Assopannelli, o custo do CBAM pode elevar os custos de produção dos painéis de madeira em cerca de 10% a 12% ao longo de quatro anos. O cálculo parte de um acréscimo previsto de 40–60 euros por tonelada de ureia a partir de 1º de janeiro de 2026, repetido anualmente por quatro anos, com impacto cascata em toda a cadeia do mobiliário europeu.
O risco apontado pelas entidades é duplo: aumento substancial dos custos industriais e perda de competitividade frente a produtos finais importados de países extracomunitários. Um fator estrutural agrava o problema: a produção europeia de ureia cobre apenas 20% da demanda industrial, tornando o setor dependente de importações.
“A aplicação do CBAM à ureia industrial sem correções adequadas riscaria de penalizar as empresas europeias“, declarou o diretor da EPF, Matti Rantanen. “A ureia é usada tanto como fertilizante quanto como matéria-prima para colas e resinas industriais. Em novembro pedimos à Comissão Europeia a exclusão da ureia de uso industrial; a proposta foi rejeitada. Por isso pedimos agora a suspensão da aplicação, dado o impacto no mercado interno e nas cadeias a jusante.”
Rantanen acrescentou que a suspensão anunciada pela Comissão Europeia em 14 de janeiro sobre os direitos aduaneiros para fertilizantes não resolve o problema: “A maior parte da ureia importada pelas nossas empresas vem de países já isentos, logo a medida é insuficiente”.
Paolo Fantoni, presidente da Assopannelli de FederlegnoArredo, sublinhou a necessidade de políticas comunitárias calibradas: “É fundamental que as políticas europeias considerem as especificidades da indústria de painéis, a começar pelo uso industrial da ureia, e prevejam medidas de transição ou exceções que evitem perda de competitividade”.
O encontro serve também de preparação para a assembleia anual da EPF, marcada para 10 a 12 de junho em Milão, por convite da FederlegnoArredo. Assopannelli e EPF afirmam que irão trabalhar em conjunto para sensibilizar as instituições europeias e proteger a competitividade da indústria de painéis e do setor móvel europeu.
Este relatório foi construído com base em declarações oficiais das associações, documentos apresentados na reunião e verificação das medidas anunciadas pela Comissão Europeia, mantendo o foco nos fatos brutos e na realidade traduzida do setor.





















