Roma, 30 de dez. (Adnkronos/Labitalia) — O mercado de trabalho está passando por transformações profundas, em que desafios tecnológicos e novas prioridades sociais convivem com oportunidades para profissionais altamente qualificados. Segundo o relatório Hr Barometer 2026 da consultoria operacional agap2, quatro vetores vão orientar as contratações e os perfis mais procurados nos próximos meses.
Enrica Ceccato, diretora de RH da agap2, aponta que os pilares que moldarão o mercado são: inteligência artificial (IA), bem-estar no trabalho, transição verde e escassez de talentos. “É sobre esses quatro fundamentos que se constrói o trabalho do futuro, repleto de oportunidades mesmo em um momento econômico difícil”, afirma Ceccato.
Na prática, as empresas deverão intensificar a busca por engenheiros e especialistas nas áreas de machine learning, IA, automação industrial, cybersecurity, energias renováveis e data science. Esses perfis aparecem entre os que terão maior empregabilidade à medida que projetos digitais e de sustentabilidade avançam.
É importante, porém, desfazer um equívoco recorrente: a tecnologia não virá para substituir o trabalhador, mas para complementar suas tarefas. A automação e os sistemas baseados em IA tendem a assumir atividades mais rotineiras, liberando espaço para funções de maior complexidade e criatividade. Por isso, profissionais que investirem em reskilling e upskilling — ou seja, na atualização e ampliação contínua de competências — estarão em posição de vantagem no mercado.
Outro ponto destacado pelo estudo é que o bem-estar e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional deixaram de ser benefícios secundários para virar um critério estratégico de atração e retenção de talentos. “Um ambiente de trabalho positivo, que cuide da saúde mental e física, é cada vez mais decisivo para reter profissionais, especialmente em áreas técnicas como engenharia e TI, onde a oferta de vagas pode superar o número de candidatos qualificados”, explica Ceccato.
Para as empresas, a recomendação é evoluir de um modelo organizacional baseado em controle para um modelo pautado na confiança. O chamado “salário emocional” — que inclui flexibilidade, cultura organizacional e oportunidades de desenvolvimento — passa a ter peso na decisão de profissionais que recebem propostas concorrentes.
Quanto à sustentabilidade, o relatório lembra que essa pauta não se restringe ao ambiente: envolve também dimensões sociais e de governança. Projetos que conectam eficiência energética, economia circular e responsabilidade social corporativa tendem a gerar demanda por competências técnicas e gerenciais específicas.
Em suma, o panorama desenhado pelo Hr Barometer 2026 aponta um mercado com forte seletividade por habilidades técnicas avançadas, aliado a uma valorização crescente do bem-estar e da cultura organizacional. A recomendação para quem busca boas oportunidades é clara: investir em formação contínua, demonstrar fluência em tecnologias emergentes e priorizar empregadores que ofereçam um ambiente de trabalho saudável e alinhado à transição verde.































