Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. O Hospital Pediátrico Bambino Gesù consolida-se como polo europeu de inovação no tratamento de doenças raras, com um portfólio amplo de estudos clínicos e terapias avançadas em desenvolvimento. No contexto das Redes Europeias de Referência (ERN), o centro afirma sua liderança técnica e operacional em múltiplas áreas de especialidade pediátrica.
As linhas de intervenção reportadas incluem cirurgia de defeitos congênitos, transplantes de órgãos e de células, uso de próteses e dispositivos inovadores, estímulos neurológicos combinados com programas de neurorabilitação avançada, dietoterapia para doenças metabólicas, novas moléculas e anticorpos monoclonais, imunoterapias, além de terapias avançadas — génicas e celulares — e técnicas de editing genético. Segundo os dados consolidados, cerca de 35% dos ensaios clínicos farmacológicos em andamento na Itália focam em doenças raras, e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) já autorizou mais de 200 fármacos órfãos.
O Bambino Gesù é o primeiro centro pediátrico da Europa em número de afiliações às ERN, com acreditações em 20 das 24 redes atualmente ativas. Essas redes reúnem, no total, 1.606 centros distribuídos por 375 hospitais, sendo que 20% desses centros estão localizados na Itália. No âmbito dessas parcerias, o hospital acompanha aproximadamente 20.000 pacientes com doenças raras, dos quais cerca de 2.800 foram recebidos pela primeira vez apenas no ano de 2024.
Dados globais destacam a dimensão do desafio: cerca de 300 milhões de pessoas vivem com uma doença rara no mundo. Dessas, 6% não têm diagnóstico; entre pacientes pediátricos com deficiência intelectual ou síndromes complexas, essa proporção pode alcançar 60%. Em território nacional, estimam-se aproximadamente 2 milhões de pessoas afetadas, com mais de 100 mil ainda sem diagnóstico definitivo.
Desde 2016, o Bambino Gesù mantém um ambulatório dedicado a pacientes raros sem diagnóstico — o primeiro do tipo na Itália — que integra prática clínica e pesquisa científica por meio de uma rede extensa de centros especialistas, nacionais e internacionais. Em um raio-x da produção científica do hospital, desde 2014 já foram identificados mais de 100 novos genes vinculados a doenças.
Na sequência da articulação institucional, será realizado, no dia 24 de fevereiro, um congresso online intitulado “Terapias inovadoras nas ERN do Hospital Pediátrico Bambino Gesù”, organizado pelo próprio hospital em cooperação com OMaR — Observatório das Doenças Raras — e Orphanet-Italia. Em 28 de fevereiro, data da World Rare Disease Day, está previsto um Open Day no Auditório da sede de San Paolo Fuori le Mura, dedicado a crianças e adolescentes com epidermólise bolhosa e às suas famílias.
Como repórter com longa vivência na Itália e foco em precisão, destaco que as Redes Europeias de Referência funcionam como aceleradoras de diagnóstico e tratamento, especialmente quando a tomada em carga exige competências multidisciplinares e tecnologias de ponta. A sinergia entre protocolos clínicos, ensaios e pesquisa genética é o vetor que tem elevado a capacidade de identificação de causas genéticas e a disponibilidade de terapias específicas.
Fatos brutos: 20.000 pacientes acompanhados via ERN no Bambino Gesù, 2.800 novos casos em 2024, mais de 200 medicamentos órfãos aprovados pela EMA, e o reconhecimento institucional que coloca o hospital como hub pediátrico de referência na Europa. A realidade traduzida por esses números confirma um movimento sistêmico: investimentos em pesquisa translacional e redes colaborativas são determinantes para reduzir o deserto diagnóstico e ampliar o acesso a terapias inovadoras.
Apuração e próximos passos: acompanhar os resultados das sessões do congresso online e do Open Day, mapear os desdobramentos dos ensaios clínicos em curso e monitorar a integração entre centros ERN para mensurar ganhos reais em tempo de diagnóstico e eficácia terapêutica.






















