Por Giulliano Martini — Em articulação entre o Ministério do Interior e o Ministério da Educação, o governo prepara uma diretiva para permitir controles com metal detector nas escolas, inclusive de forma surpresa, quando solicitados pelos dirigentes escolares. A medida responde ao aumento do fenômeno do uso de facas por adolescentes e integra o pacote de segurança em estudo que deverá também desembocar em projeto de lei.
O anúncio foi feito pelo ministro do Interior, Matteo Piantedosi, que detalhou a forma que a iniciativa está assumindo. Segundo o ministro, a diretiva será finalizada nas próximas horas e enviada aos diretores escolares e aos prefeitos. A previsão é que a publicação ocorra já amanhã, no máximo.
Fontes oficiais indicam que o modelo em análise parte de uma experiência piloto aplicada em alguns municípios napolitanos, realizada a pedido de uma dirigente escolar local. Nessas ocasiões, forças de segurança e detectores portáteis foram utilizados para realizar inspeções na entrada das escolas e em seus acessos.
“Estamos trabalhando nisso e acredito que, nestas horas, amanhã no máximo, sairemos com uma diretiva compartilhada com o ministro Valditara que enviaremos aos dirigenti scolastici e aos prefetti”, explicou Piantedosi. A lógica da ação é clara: sob solicitação dos dirigentes escolares, e respeitando a autonomia didática das instituições, as forças de ordem poderão decidir, em conjunto com os prefeitos, a realização de controles na escola, nas imediações e nos acessos, em resposta ao crescimento do uso de facas entre os jovens.
O ministro sublinhou que as inspeções poderão ser «a surpresa», quando pedidas pelos responsáveis das escolas. Ao mesmo tempo, fez reserva: se houver episódios que impliquem investigação de delitos, o modelo de intervenção poderá variar, conforme determinações da autoridade judiciária, que pode ordenar procedimentos diferentes em função da gravidade e das necessidades das apurações.
Do ponto de vista legislativo, o endurecimento das regras sobre armas brancas será inserido em um projeto de lei. Piantedosi disse confiar que o debate parlamentar poderá atrair convergência também das forças de oposição, transformando a diretiva administrativa em medidas normativas mais amplas.
O anúncio ocorre em contexto de crescente preocupação pública com episódios de violência escolar envolvendo armas brancas. A diretiva pretende oferecer um instrumento operacional aos gestores escolares e às autoridades locais para prevenção imediata de riscos, sem, segundo o ministério, comprometer a autonomia administrativa das instituições de ensino.
Em síntese, o quadro em consolidação combina três elementos: (1) autorização para controles com metal detector portáteis e atuação das forças de segurança; (2) possibilidade de operações surpresa mediante pedido dos dirigentes escolares; (3) previsão de medidas distintas quando houver procedimentos judiciais em curso. A diretiva será o primeiro passo; o debate parlamentar definirá o instrumento legal definitivo.






















