Por Giulliano Martini — Apuração direta, cruzamento de fontes, fatos brutos. A interpretação correta da data de validade nos rótulos alimentares é um instrumento prático para reduzir riscos de saúde e para minimizar o desperdício. Em campo, a distinção entre os termos imprescindíveis no rótulo define atitudes opostas: para uns, seguir estritamente a indicação; para outros, aplicar o bom senso.
Em entrevista à Espresso Italia Salute, Antonella Maugliani, pesquisadora do Departamento de Segurança Alimentar, Nutrição e Sanità pubblica veterinaria do Instituto Superiore di Sanità (ISS), clarifica as diferenças. Segundo Maugliani, a expressão “consumir até” (equivalente ao “use by”) — acompanhada do dia e do mês — é uma regra rígida. Alimentos como leite, iogurte, queijos frescos, carnes e peixes exigem respeito absoluto a essa data porque “os riscos de contaminação bacteriana invisíveis são altos”. Mesmo um dia além da data fornecida pela indústria, que segue protocolos e testes regulamentares, não deve ser ignorado.
Por outro lado, a indicação “consumir preferencialmente até” refere-se ao chamado TMC (tempo mínimo de conservação). Trata-se de uma referência de qualidade, não de segurança imediata. Produtos como massas, arroz, enlatados, snacks e o próprio atum em lata podem ser consumidos após essa data se estiverem íntegros e bem conservados, ainda que com perda potencial de sabor, textura ou aroma. Maugliani exemplifica: “uma lata de atum, preservada adequadamente, pode ser consumida mesmo passados 12 meses” — um dado prático, não uma autorização irrestrita.
O projeto SAC (Segurança Alimentar em Casa) do ISS, cuja responsável científica é Maugliani, monitora a percepção pública sobre segurança alimentar e busca melhorar a comunicação ao cidadão. Entre os questionamentos do questionário “Mangia sicuro” está a conservação das ovos. Por que, pergunta-se, os ovos permanecem em prateleiras nos supermercados e não em refrigeração? O esclarecimento técnico é direto: ao chegar em casa, os ovos devem ser colocados na geladeira, preferencialmente no prateleira central, onde a temperatura é mais estável e sem oscilações bruscas.
Outro tópico em discussão entre consumidores é a água em garrafa. Maugliani aponta que, além do fator microbiológico, existe um risco químico em extrapolar prazos muito longos, relacionado à possível migração de substâncias plásticas para o líquido e à incerteza sobre condições de armazenamento e transporte. A recomendação técnica é cautela: não consumir garrafas muito antigas nem aquelas de procedência duvidosa.
Conclusão prática: respeitar rigidamente a indicação “consumir até” para produtos perecíveis é uma medida de segurança; aplicar o bom senso com produtos classificados por TMC pode reduzir desperdício sem comprometer a saúde, desde que o alimento esteja íntegro, sem alterações de cheiro, cor ou textura. Para cada caso, leia o rótulo, verifique a integridade da embalagem e considere como o produto foi armazenado — esta é a regra básica traduzida em prática.
Reportagem conduzida com base em entrevistas e documentos do ISS; apuração técnica e checagem de fontes realizadas segundo padrão editorial Espresso Italia.






















