Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam: o diretor lírico Damiano Michieletto apresentou em Bergamo seu primeiro filme, Primavera, e colheu um resultado que combina crítica, público e longevidade comercial. A exibição no Conca Verde, na tarde de 6 de janeiro (17h45), marcou a passagem do espetáculo das salas de ópera para as telas de cinema.
O lançamento coincidiu com um período de grande movimento nas bilheterias: embora distancie-se em receita do fenômeno de massa de Checco Zalone, Primavera foi identificado por cerca de 200 mil espectadores como uma alternativa autoral ao circuito comercial de fim de ano. Dados do painel Cinetel apontavam, até o último fim de semana, um acumulado de vendas superior a €1,3 milhão.
Na origem estética do filme estão elementos que combinam literatura premiada e música barroca: o roteiro dialoga com o universo do romance vencedor do Strega, Stabat Mater, de Tiziano Scarpa, e utiliza a música de Vivaldi como eixo narrativo. A ambientação transporta o espectador para a Veneza do século XVIII e investe em temas como emancipação feminina, dentro de uma proposta autoral e histórica.
Michieletto, referência consolidada na direção de óperas, descreveu a apresentação ao público sem floreios: “Sem grandes discursos — o filme deve falar por si”. Segundo o diretor, a fala pública foi centrada em como nasceu a ideia de Primavera, no processo de filmagem e, sobretudo, na função da música como elemento narrativo capaz de modular emoção.
O elenco foi apontado pelo próprio diretor como um dos pontos fortes. No núcleo principal estão Tecla Insolia e Michele Riondino, acompanhados por profissionais experientes como Stefano Accorsi, Valentina Bellè, Andrea Pennacchi e Fabrizia Sacchi. Michieletto relatou ter pedido aos intérpretes que priorizassem a escuta e a honestidade: “Não se preocupem com a forma exata da frase, escutem-se; recitem por subtração. Num filme histórico, o figurino — e até a peruca — é um artificio; a exigência é a autenticidade e a vulnerabilidade”.
As projeções e a recepção indicam que Primavera tem percurso além da temporada de festas: o filme tem sido exibido em festivais e foi comercializado em mais de cinquenta países. A distribuição internacional prevê estreia na França em abril, o que deve aportar novo fôlego ao box office e ampliar os números consolidados até agora.
Do ponto de vista editorial, a trajetória de Michieletto — de palcos líricos para direção de cinema — foi tratada como um movimento calculado e coerente com sua prática artística. Em Bergamo, o tom da apresentação manteve a objetividade jornalística que marca a produção: relato técnico sobre a gênese do projeto, apontamento do elenco e dos números, e observação sobre a estratégia de circulação internacional.
Fatos brutos: cerca de 200 mil espectadores notaram o filme nas semanas de lançamento; receita acima de €1,3 milhão (dados Cinetel até último fim de semana); vendas confirmadas em mais de 50 países; estreia prevista na França em abril. É nessa constelação de dados que se mede o alcance de um filme que alia música barroca, ficção histórica e uma abordagem de atuação focada na veracidade.





























