Da 1h30 do dia 1º de janeiro, a tragédia no hotel Constellation, em Crans-Montana, transformou-se num fluxo contínuo de pedidos de socorro que lotaram o central de emergência suíço. Em uma hora e meia foram registradas 171 chamadas, cujas gravações agora constam dos autos da investigação da Procuradoria de Sion.
As primeiras chamadas chegaram poucos segundos antes da 1h30. Em gravação divulgada pela imprensa suíça, um interlocutor pede socorro: “Gostaria que viessem, porque há uma emergência no Constellation”. Naquele momento, o quadro ainda era incerto e a solicitação parecia referir-se a um atendimento dos bombeiros.
Em seguida o tom das ligações se intensifica: testemunhas descrevem incêndio e vítimas; há pedidos angustiados por ambulâncias. Uma chamada relata: “Por favor, é o Constellation em Crans-Montana, senhora, há fogo, há feridos”. Outro interlocutor, abalada, afirma acreditar ter perdido amigos no local: “Acho que meus amigos estão mortos dentro… muitas pessoas quase morreram, chame uma ambulância”.
As chamadas prosseguiram até cerca de 3h da madrugada. Em muitos relatos as mensagens são confusas, reflexo do choque das pessoas envolvidas: “Quase morri no Constellation. Acho que me ardi. O Constellation queimou todo”, diz um dos relatos transcritos para a investigação.
O central não foi apenas receptor de pedidos: passou a coordenar os primeiros socorros. Socorristas que chegaram ao local informaram à central: “Estou no incêndio em Crans-Montana”. Um primeiro balanço citado nas gravações apontava “três queimados graves”. Minutos depois, a avaliação se agravou: uma operadora comunica “houve uma explosão… tenho quatro vítimas fatais e pelo menos 30 feridos”. A resposta operacional foi imediata: “Lançamos o plano de catástrofe”.
Com a difusão da notícia, famílias ligaram ao central em busca de parentes: “Houve um incêndio. Nossa filha está envolvida, não temos notícias”. A operadora, limitada pelas informações disponíveis, respondeu que não podia confirmar a localização ou o estado da pessoa.
Até o momento, as autoridades confirmaram 40 mortos e 116 feridos. As gravações das chamadas integram o inquérito liderado pela Procuradoria do Cantão do Valais (Sion).
Ontem foi comunicado que a Procuradoria do Valais concedeu assistência judiciária à Itália. Segundo nota do Escritório Federal de Justiça, o pedido de cooperação apresentado pela Procuradoria de Roma foi atendido, o que permitirá às autoridades italianas o acesso às provas já reunidas, respeitando os direitos processuais das partes eventualmente afetadas por medidas de cooperação internacional.
Este relato resulta do cruzamento de fontes oficiais e das gravações incluídas nos autos. A apuração in loco e o rigor técnico continuam sendo prioridade para documentar a sequência de fatos e o avanço das investigações.






















