Milão — Em declaração nesta sexta-feira na Triennale di Milano, o presidente do CONI, Luciano Buonfiglio, classificou como “fora de lugar” a controvérsia gerada pelo post do rapper Ghali, previsto entre os artistas da cerimônia de abertura dos Jogos de Milano Cortina.
Ao ser questionado por jornalistas sobre a publicação do artista nas redes sociais, Buonfiglio disse: “Eu penso que neste momento sou levado a ler apenas as coisas positivas, porque em momentos como este fazer polêmica eu acho fora de lugar”. A declaração foi dada no mesmo dia em que a capital lombarda se prepara para a cerimônia inaugural.
Na mensagem compartilhada no Instagram, Ghali afirmou, em tom reflexivo, que sabe “quando uma voz é aceita, quando é corrigida, quando se torna demais” e também reconheceu motivos pelos quais foi convidado — e motivos pelos quais poderia não ter sido. O artista escreveu ainda que lhe foi proposto recitar uma poesia pela paz, possivelmente em mais de uma língua, mas que a presença da língua árabe teria sido considerada, em uma etapa final, “de mais”. Ghali relatou que não pôde cantar o hino da Itália e que seu silêncio também teria gerado ruído; encerrou a mensagem com um lacônico “A domani”.
Apuração in loco e cruzamento de fontes indicam que a organização do evento buscou conciliar elementos musicais e simbólicos para a abertura, visando o cenário internacional dos Jogos. A fala de Buonfiglio, nesta perspectiva, visa deslocar o foco para a solenidade em si — segundo ele, o momento exige uma leitura positiva e não um aprofundamento de debates que, a seu ver, seriam inoportunos.
Do lado do artista, o post público capturou atenção imediata das redes e da imprensa, reacendendo discussões sobre representatividade cultural, limites de expressão artística em eventos institucionais e decisões de curadoria que envolvem línguas e símbolos nacionais.
Como repórter com apuração rigorosa e cruzamento de informações, registro que não há, até o momento, comunicado oficial detalhando as razões técnicas ou protocolares que levaram a eventuais ajustes no texto ou na performance prevista por Ghali. Fontes próximas à produção informaram apenas que houve revisões de última hora no formato artístico da cerimônia — prática comum em grandes eventos internacionais para adequação de tempo, protocolo e segurança.
O episódio, ainda que restrito às declarações públicas de uma autoridade esportiva e de um artista envolvido, serve como raio-x do equilíbrio delicado entre expressão cultural e alinhamento institucional em palcos de grande visibilidade. A cerimônia de abertura desta noite terá, portanto, atenção redobrada sobre como esses elementos serão materializados.
Da Triennale, registro o fato com objetividade e sem conjecturas: Ghali permanece na escalação artística do evento; o presidente do CONI pediu foco no caráter positivo da ocasião; e a polêmica citada pelo artista aparece, por ora, como disputa de percepção pública e decisão de curadoria.
Atualizarei com qualquer nota oficial de produção ou pronunciamento adicional das partes envolvidas assim que disponíveis, mantendo o padrão de verificação e clareza que orienta esta cobertura.






















