Em Milão, o ministro do Interior Matteo Piantedosi reuniu-se hoje com dirigentes da Questura após o episódio grave no bosquete de Rogoredo, onde um assistente‑chefe da polícia está acusado do homicídio de Abderrahim Mansouri. Em declaração pública, o ministro ressaltou que o caso, por mais sério que seja, não deve macular a longa trajetória de serviço e disciplina das forças de segurança.
“O episódio ocorrido em Rogoredo, por quanto gravíssimo, não pode intacar uma longa história de dedicação, disciplina e serviço que caracteriza as nossas forças de polícia”, afirmou Piantedosi, destacando que as mulheres e os homens em uniforme constituem “um patrimônio precioso da República” pela profissionalidade, equilíbrio e senso de Estado. O ministro pediu que o debate público se concentre na condenação de condutas individuais e no reconhecimento do trabalho dos magistrados e investigadores que apuraram os fatos, evitando instrumentais politizações do caso.
No mesmo dia, o juiz de instrução (gip) Domenico Santoro expediu a ordem de custódia cautelar em regime de prisão para o policial suspeito. Na fundamentação da medida, o magistrado descreve ausência de “espírito colaborativo” durante o interrogatório de ontem por parte de Carmelo Cinturrino, 41 anos. Segundo o gip, Cinturrino reconheceu apenas fatos já comprovados nas investigações, admitindo ter alterado a cena do crime ao colocar uma arma de brinquedo, enquanto outras declarações foram consideradas não críveis.
O despacho de Santoro aponta ainda que as alegações de Cinturrino — de que o tiro teria sido dado apenas com intenção intimidatória por medo — não se sustentam diante do conjunto probatório. Testemunhos recolhidos no inquérito, segundo o gip, confirmam a existência de métodos intimidatórios empregados pelo agente nas operações, comportamento que o acusado negou, qualificando como “infâmias” as declarações dos colegas.
Relatos anteriores de agentes do Commissariato Mecenate chegaram a afirmar que Cinturrino exigia dinheiro e drogas de traficantes e usuários do bosquete de Rogoredo. Para o magistrado, a tentativa do investigado de desqualificar essas declarações como difamatórias entra em contradição com as outras testemunhas e com o trabalho de campo dos investigadores.
O advogado de defesa, Piero Porciani, transmitiu ao tribunal um pedido de desculpas em nome do cliente: “Eu devia ser quem fazia valer a lei, errei. Peço desculpas a todas as pessoas que vestem a farda: trai a sua confiança”, relatou o defensor sobre as palavras de Cinturrino durante o encontro com seu advogado. Apesar do reconhecimento parcial, para o gip persistem indícios concretos que justificam a custódia pelo crime de homicídio voluntário.
Fontes da investigação afirmam que as primeiras reconstruções do caso, que apontavam para cenários alternativos, foram rapidamente superadas pelo trabalho técnico e pelo cruzamento de fontes levado a cabo pela Polícia de Estado e pela Procuradoria. Em pouco tempo, peritos e investigadores conseguiram traçar um quadro probatório que motivou medidas cautelares severas.
O episódio reabre o debate sobre práticas operacionais em áreas de alto risco e sobre mecanismos internos de controle e supervisão. O ministro Piantedosi encerrou suas declarações renovando a gratidão pelo trabalho dos operadores que atuam em contextos difíceis e sublinhando a necessidade de distinguir entre responsabilidades individuais e o valor institucional das forças policiais.






















