Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Em 23 de fevereiro de 2026, a Polícia italiana anunciou o afastamento e o indiciamento do agente Carmelo Cinturrino, 41 anos, pelo crime de homicídio voluntário de Abderrahim Mansouri, o jovem de 28 anos de origem marroquina morto por um disparo em 26 de janeiro no chamado ‘boschetto della droga’ de Rogoredo, na periferia de Milão.
Segundo o relatório preliminar da Squadra Mobile e do procurador Giovanni Tarzia, a versão inicial apresentada pelos investigados mostrou diversas incongruências. Além de Cinturrino, outros quatro agentes que o acompanhavam no patrulhamento foram apontados por suspeitas de favorecimento e omissão de socorro. As investigações indicam a possibilidade de que a cena tenha sido organizada para justificar o disparo — a hipótese é de que a arma que teria intimidado o policial era, na verdade, uma Beretta de brinquedo ou de alarme e que essa peça teria sido colocada no local apenas após a morte.
Os peritos e investigadores trabalham para reconstruir a dinâmica do controle antispaccio naquela área. A apuração aponta para um possível motivo ligado a disputas no comando da ‘piazza’ de venda de drogas em Rogoredo: relações pré-existentes entre o autor do disparo e a vítima, que podem ter escalado para confronto durante o controle.
Em nota pública, a primeira-ministra Giorgia Meloni declarou acompanhar com ‘‘sgomento’’ o desenvolvimento do caso e classificou a hipótese — se confirmada — como um ‘‘tradimento da Nação’’. A chefe do governo disse sentir ‘‘profunda raiva’’ ao imaginar que a conduta de quem trai a farda possa manchar o trabalho dos muitos agentes que atuam com dedicação. Meloni ressaltou a importância da atuação da Polizia di Stato, que, sob delegação da Procuradoria de Milão, conduz as investigações internas com o objetivo de esclarecer os fatos.
‘‘Chi indossa una divisa e rappresenta le Istituzioni ha il dovere di farlo con il massimo del rigore’’, afirmou a premier, lembrando que, se apurada a responsabilidade, a justiça deverá ser implacável. Meloni também refutou interpretações que sugerem a existência de qualquer ‘‘scudo penale’’ que protegeria agentes implicados.
Do ponto de vista processual, a mudança de qualificação do ato para homicídio voluntário e as acusações conexas contra os demais agentes alteram o quadro investigativo: passam a vigorar diligências técnicas amplas — reconstituições, perícias balísticas, exames nas comunicações e colheita de depoimentos adicionais — para aferir se houve encobrimento e manipulação de prova.
Na leitura jornalística aplicada a este episódio, mantenho o foco nos fatos brutos: data e local do disparo (26/01, boschetto di Rogoredo), identificação do morto (Abderrahim Mansouri, 28 anos), do agente acusado (Carmelo Cinturrino, 41 anos), a delegação da investigação à Polizia di Stato e a coordenação do Ministério Público (pm Giovanni Tarzia). Continuarei o acompanhamento e o cruzamento de fontes até que as investigações entreguem evidências conclusivas.
Essencial: a narrativa pública deve ser construída a partir de prova técnica e de investigação independente, e não de conjecturas. A realidade traduzida — como buscamos aqui — prioriza a verificação cronométrica dos fatos e a fidelidade às evidências conhecidas.






















