Em audiência de convalidação do flagrante realizada nesta terça-feira, o assistente‑chefe da polícia Carmelo Cinturrino declarou ter assumido as suas responsabilidades no episódio que resultou na morte de Abderrahim Mansouri, ocorrido em 26 de janeiro no bosque de Rogoredo, em Milão.
O interrogatório, presidido pelo juiz de garantias Domenico Santoro, contou com a presença do procurador de Milão, Marcello Viola. Segundo o advogado de defesa, Piero Porciani, Cinturrino pediu desculpas às pessoas cuja confiança ele teria traído, manifestou profundo arrependimento e afirmou que disparou porque teve medo.
Porciani, ao chegar ao estabelecimento prisional e falar com os jornalistas presentes, disse: “Ele admitiu as suas responsabilidades: está muito triste, está arrependido do que fez, sobretudo da fase subsequente. E disse que atirou porque teve medo”. A declaração foi formalizada no interrogatório com o juiz, em ato que faz parte do rito para avaliar a legalidade do flagrante e a necessidade de manutenção da prisão.
O procedimento de convalidação é um momento processual decisivo: o juiz avalia os elementos trazidos pela acusação e pela defesa, além das provas recolhidas em fase de investigação. No caso, a acusação é de homicídio voluntário por disparo de arma de fogo na área conhecida como boschetto di Rogoredo, onde Mansouri foi atingido.
Repercutiram também no mesmo dia declarações do presidente do Senado, Ignazio La Russa, em entrevista ao programa “Radio anch’io” da Rai. La Russa afirmou que, se confirmada a culpa do policial, deve haver uma punição mais severa quando o autor do crime é um agente do Estado. Citando, em tom crítico e para ressaltar rigor, referências históricas, disse: “Peço uma grande severidade contra os delinquentes e uma severidade em dobro quando, se fosse o caso, o autor de um crime tão grave for um policial”. O presidente do Senado, no entanto, ponderou que a punição deve também ser dura para o bandido, ressaltando que a lei precisa atingir com firmeza quem a viola sistematicamente.
As informações sobre o ocorrido e as motivações alegadas por Cinturrino estão sendo analisadas com o cruzamento de provas, laudos periciais e depoimentos colhidos desde o dia do fato. Fontes judiciais confirmam que a investigação seguirá para aprofundar os elementos relativos às fases anteriores e posteriores ao disparo, inclusive sobre eventuais procedimentos adotados pela equipe no local.
Do ponto de vista processual, a audiência de convalidação pode resultar na confirmação do arresto cautelar, medida já em vigor, e na formalização das imputações; poderá também abrir caminho para novas diligências determinadas pelo magistrado. A verificação das alegações de arrependimento e de medo informado pelo policial será feita estritamente sobre a base de evidências e testemunhos.
Esta reportagem aplica apuração in loco e cruzamento de fontes oficiais para oferecer os fatos brutos: há confissão parcial do agente, presença do Ministério Público na audiência e declarações públicas de autoridade política pedindo rigor. O caso permanece em desenvolvimento; atualizações serão publicadas conforme o prosseguimento das fases judiciais e das perícias.






















