Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes indicam um quadro grave na ilha após o avanço do Ciclone Harry. A conta inicial dos prejuízos aponta para mais de meio bilhão de euros, concentrados principalmente no litoral jônico da Sicília, onde mais de 100 km de faixa costeira sofreram danos severos.
Em Santa Teresa di Riva, província de Messina, equipes de emergência trabalharam durante a noite para restaurar os serviços básicos do lungomare devastado. Uma frana (deslizamento) provocou o colapso de um trecho da via, cortando tubulações e cabos e deixando largas áreas sem água e energia elétrica. Técnicos da Enel instalaram grupos eletrogêneos para alimentar uma área ampla e foi montado um bypass temporário para restabelecer o abastecimento de água. “O mar continua a empurrar”, relatou o prefeito Danilo Lo Giudice em transmissão ao vivo, descrevendo o estado crítico do calçadão remanescente.
No Agrigentino, o impacto do Ciclone Harry atingiu a estrutura do prolongamento da conduta de descarga ao mar do dessalinizador de Porto Empedocle. A violenta marejada desprendeu os elementos de ancoragem no fundo marinho da obra — que ainda não estava em operação — e as condições marítimas atuais impedem intervenções de recuperação com segurança. A empresa responsável foi alertada e a Capitaneria di Porto foi informada imediatamente.
O governo regional convocou reunião de urgência em Palermo, com início às 12h no Palazzo d’Orléans, para declarar o estado de crise e deliberar sobre a solicitação do estado de emergência de âmbito nacional em razão das intempéries que atingiram a ilha nos dias 19, 20 e 21 de janeiro. A ordem do dia contempla a quantificação preliminar dos danos — que já somam, segundo avaliação inicial, mais de meio bilhão de euros — e medidas imediatas de proteção e mitigação.
Em agenda oficial, o ministro para a Proteção Civil e as Políticas do Mar, Nello Musumeci, fará uma visita técnica hoje à tarde acompanhado pelo chefe do departamento da Proteção Civil nacional, Fabio Ciciliano. Estão programados vistorias públicas no calçadão de Santa Teresa di Riva às 15h15 e no lungomare de Ognina, em Catania, às 16h15 — áreas particularmente afetadas pela última onda de mau tempo do Ciclone Harry.
Em entrevista à imprensa, o chefe da Proteção Civil, Fabio Ciciliano, ressaltou que, apesar do forte impacto territorial em Sardegna, Sicília e Calabria, não houve registro de vítimas fatais nem feridos graves, o que, segundo ele, evidencia o funcionamento dos sistemas de proteção territorial e das operações de emergência. Ciciliano acrescentou que, por se tratar de uma área de “altíssima fruição turística”, é imperativo “fazer rápido e fazer bem” nas intervenções de recuperação para minimizar prejuízos sociais e econômicos.
Fontes técnicas locais relatam destruição significativa em praias, estabelecimentos balneares, vias costeiras, habitações e infraestruturas portuárias. Operações de avaliação continuam em campo para refinar o balanço econômico e estrutural. As condições meteo-marinhas ainda limitam intervenções de maior vulto no ambiente costeiro, retardando os trabalhos de recuperação submarina e de reancoragem de estruturas afetadas.
O cenário segue sob monitoramento constante das autoridades locais e nacionais, com ações coordenadas entre prefeituras, proteções civis regionais, concessionárias de serviços e órgãos portuários. A prioridade imediata continua sendo a restauração de água e energia às comunidades isoladas, a segurança das áreas urbanas costeiras e a definição das obras emergenciais para estabilizar o litoral.
Esta reportagem segue em atualização conforme novas informações oficiais e laudos técnicos forem disponibilizados pelas equipes em campo e pelos órgãos competentes.






















