Riposto, 23 de janeiro — Os danos causados pelas violentas marés provocadas pelo ciclone Harry no molo foraneo do porto de Riposto, no Catanese, são gravíssimos e sem precedentes. A infraestrutura portuária, considerada o coração da economia marítima local e a segunda marineria da Sicília, sofreu impactos que comprometem sua fruição imediata e, possivelmente, a sua estabilidade estrutural.
Em apuração in loco e no cruzamento de fontes institucionais, o prefeito Davide Vasta descreve um cenário de destruição: “A mantellata do molo está, em grande parte, desabada. Os danni são muito significativos: um giunto saltou, trechos de banchina se moveram e outras partes chegaram mesmo a se soltar. Neste momento, a banchina e a passeggiata não são utilizáveis. É altamente provável que existam problemas strutturali que exigirão verificações detalhadas. O comandante da Capitaneria de Porto pode declarar hoje mesmo boa parte da infraestrutura inagível. A situação não será fácil de gerir”.
O relato do prefeito inclui o colapso dos serviços essenciais para a atividade pesqueira: “Os serviços igienici foram completamente destruídos, a iluminação praticamente não existe mais, com postes quase todos derrubados. Inclusive um dos cassoni em calcestruzzo armato — enormes blocos de proteção colocados atrás da mantellata — foi empurrado pelas ondas até a própria mantellata. Isso dá a medida da violência do evento e dos problemas enormes que agora afetam a proteção global do porto”.
Vasta enfatiza a urgência de um socorro coordenado: “O porto é competência regional, mas aqui são necessários alugueres especiais por parte do Presidente da Região. Não podemos perder tempo: precisamos de recursos imediatamente para restabelecer ao menos a fruição do local. O porto é o refúgio dos pescadores, que necessitam de uma infraestrutura funcional de imediato. Estamos a falar de dezenas de atividades económicas: a pesca em Riposto tem impacto em todo o território. Se a marineria de Riposto parasse, as consequências seriam gravíssimas para todo o comprensorio”.
O assessor Carmelo D’Urso corrobora o diagnóstico e aponta para a necessidade de peritagens técnicas qualificadas: “Hoje tivemos plena consciência dos danos e a situação é pior do que esperávamos. Já contactámos o Dipartimento regionale delle Infrastrutture, que nos solicitou uma primeira estimativa, mas julgo indispensável que venham pessoalmente ao local para uma avaliação pontual, porque o dano parece ser strutturale e vai muito além do que é visivelmente imediato. São necessárias competências técnicas específicas”.
D’Urso conclui lembrando que a dimensão dos impactos ultrapassa os fundos já assegurados: “Estamos diante de um quadro que evidentemente supera muito os 5 milhões de euros já obtidos para a requalificação do porto. Aqui é preciso um intervento straordinario, rápido e proporcional à gravidade da situação”.
Fontes da administração municipal confirmam que a prioridade imediata é garantir a segurança das áreas afetadas, evitar novas perdas materiais e articular com a Região e a Capitaneria medidas de intervenção e proteção temporária. O episódio acende um alerta sobre a vulnerabilidade das infraestruturas costeiras a eventos meteorológicos extremos e sobre a necessidade de planos de contingência e de financiamento extraordinário para recuperação.
Relato técnico preliminar indica movimentação de blocos de proteção e deslocamento da pavimentação do molo, o que poderá exigir escavações, retirada dos cassoni avariados e reconstrução de seções da mantellata e das banchine. A confirmação dos danos estruturais dependerá de inspeções detalhadas por engenheiros civis e especialistas em obras marítimas, a serem mobilizados nas próximas horas.
Seguiremos acompanhando a evolução da situação e o calendário das intervenções públicas. Esta reportagem é fruto de apuração no terreno, cruzamento de fontes institucionais e verificação técnica preliminar — a realidade traduzida sem ruído para leitores que exigem precisão.






















