Por Giulliano Martini — Depois do proscioglimento no caso conhecido como Pandorogate, Chiara Ferragni voltou a falar publicamente e reafirmou a confiança nas plataformas digitais que a projetaram. Em entrevista ao Milano Finanza, a influenciadora disse que ainda acredita nos social, definidos por ela como espaços democráticos onde “se você tem algo a dizer, eles lhe dão a plateia”.
No tom direto que marcou sua declaração, Ferragni citou uma comparação frequentemente atribuída a Umberto Eco: em vez de “quatro amigos ao bar”, hoje é possível alcançar “40 milhões de seguidores”. A observação foi usada para explicar a dimensão e a responsabilidade geradas pela exposição pública nas redes.
O período processual, segundo a própria Ferragni, foi “longo e complexo”. “Me sinto aliviada — disse ela —, depois de dois anos complexos sob muitos pontos de vista, e é bom agora sentir que não tenho mais limites, inclusive para me expressar, que tive durante esse tempo: essa foi a coisa mais bonita”. O discurso, limpo de retórica emocional, privilegiou o relato dos efeitos práticos e pessoais da experiência.
Na leitura que fez da passagem, houve aprendizagem e revisão de prioridades: “Aprendi a dar mais valor a mim como pessoa, menos como personagem”. Ferragni também registrou o efeito relacional da crise: “No momento de necessidade, você percebe — algo tanto bom quanto ruim — quem esteve ao seu lado por conveniência e quem ficou por afeição verdadeira”.
Sobre mudanças pessoais, a influenciadora admitiu transformação: “Sim, espero; penso que estes dois anos fizeram-me crescer como dez anos ‘normais’, portanto sinto-me muito mais madura e talvez também um pouco mais desiludida em relação ao passado”.
No plano jurídico, Ferragni reiterou que o desfecho era previsível: “A sentença demonstrou que na verdade não havia motivo para iniciar o processo. Improcedível, e portanto prosciolta”. Ela classificou como “absurdo” a onda de polêmica que se seguiu, observando que muitos comentários públicos falharam no entendimento técnico-jurídico do caso.
O episódio teve origem em uma sanção da Antitrust por publicidade supostamente enganosa, que acabou transformada em procedimento penal. “Até onde sei, foi a primeira vez que se abriu um procedimento por fraude agravada partindo de uma multa por publicidade enganosa”, explicou Ferragni. Nos últimos meses, todas as frentes foram encerradas mediante acordos, inclusive com o Codacons.
O impacto financeiro foi significativo: segundo o relato, o conjunto das medidas resultou em desembolsos que totalizaram cerca de 3,4 milhões de euros, incorporando a multa da autoridade (Agcm) aplicada em dezembro de 2023 — pouco mais de um milhão de euros —, doações e o acordo com o Codacons. Ferragni salientou ainda que pediu desculpas publicamente de imediato.
Apesar das críticas, ela afirma ter sentido apoio em parcela relevante da opinião pública e mantém uma avaliação positiva sobre o papel das redes sociais no setor da moda, mesmo reconhecendo que o mercado atravessa um momento de crise. “O mundo da moda está em crise sob vários pontos de vista e, consequentemente, também mudou o papel das redes sociais ligadas à moda”, declarou. A conclusão foi pragmática: “Os social são muito democráticos — se você tem algo interessante a dizer, encontra sua comunidade”. E ela reforçou: sem as redes, “não seria a pessoa que sou”.
Ferragni anunciou um retorno gradual à vida pública. A sua fala, controlada e focada em fatos, encerra um capítulo jurídico e de imagem que, na avaliação dela, permite agora retomar projetos e presença pública sem as limitações impostas pelo processo.
Apuração e verificação: declarações citadas foram dadas em entrevista ao Milano Finanza; dados sobre multas e acordos constam de comunicados judiciais e administrativos. Este relatório privilegia o cruzamento de fontes e a tradução direta dos fatos brutos para o leitor.






















