Por Giulliano Martini — Em apuração direta e cruzamento de fontes: o sindaco de Cervia, Mattia Missiroli, arquiteto de 44 anos e filiado ao Partito Democratico, comunicou nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, o retiro das dimissioni que havia apresentado no início do mês.
A decisão de Missiroli segue a manifestação do Tribunale del Riesame di Bologna, que recentemente rejeitou o pedido da Procura di Ravenna para impor custodia cautelare in carcere no âmbito da investigação sobre alegados maltratos à sua ex-companheira. Os magistrados de Bolonha não reconheceram o perigo de reiterazione del reato e não aplicaram medidas cautelares alternativas, confirmando o entendimento anterior do gip do Tribunal de Ravenna, que já havia indeferido a mesma solicitação da Procuradoria.
Missiroli vinha exercendo normalmente as funções de prefeito nas últimas semanas, apesar das denúncias e da exposição pública. Na declaração oficial, o prefeito relatou que “no dia 21 de dezembro foi tornada pública a existência de investigações a meu cargo por parte da Procura della Repubblica di Ravenna. Antes mesmo de ser ouvido, antes de tomar conhecimento de qualquer atto, minha pessoa, minha família e a cidade que represento foram atingidas por um ataque de inaudita violência, culminado em uma agonia mediática sem precedentes”.
Ele salientou que apresentou a renúncia “exclusivamente no interesse da cidade de Cervia e para a tutela de minha família e de meus filhos” e lembrou que a decisão era condicionada ao prazo de vinte dias previsto em lei para um eventual ritiro. Missiroli enfatizou ter sempre considerado as investigações “um atto dovuto per l’accertamento della verità” e reafirmou ter rejeitado desde o início todas as imputações.
O prefeito atribuiu a reversão da sua posição ao conjunto de elementos processuais recentes: o duplo indeferimento das medidas cautelares solicitadas, o reconhecimento de uma comunione familiare cessata anos atrás e a constatação da ausência, mesmo no plano della gravità indiziaria, dos pressupostos que sustentariam a imputação formalizada pela Procura.
Com base nesses elementos, Missiroli anunciou a continuidade do mandato: “Ritiro pertanto le dimissioni, richiamando il giuramento prestato, da me come da tutti i membri della Giunta e del Consiglio comunale, con la mano poggiata sulla Costituzione della Repubblica”. A afirmação foi feita em termos institucionais e reafirmou o compromisso com as responsabilidades públicas que lhe foram confiadas.
Além da retomada do cargo, o prefeito informou ter preparado 116 querele per diffamazione aggravata contra posts e conteúdos em redes sociais e outras plataformas, que serão protocoladas nos próximos dias junto às autoridades competentes. A iniciativa indica um movimento jurídico paralelo voltado à reparação de danos à sua imagem e à de sua família.
Tratando-se de matéria sensível e ainda sujeita a desenvolvimento judicial, a reportagem manterá o acompanhamento rigoroso do caso, com atualização dos fatos a partir das decisões formais dos tribunais e do andamento das peças processuais. O quadro publicamente disponível nesta fase indica a ausência de medidas cautelares e a consequente decisão do prefeito de retomar o exercício do mandato municipal.
Resumo técnico (raio-x do caso): investigação por alegados maltratos; indeferimento de pedido de custódia cautelar pelo gip de Ravenna e posterior confirmação pelo Tribunale del Riesame di Bologna; retirada formal das dimissões por parte do sindaco Mattia Missiroli; previsão de ações por difamação relacionadas à cobertura e repercussão mediática.






















