Por Aurora Bellini — Em uma cena que chocou moradores e participantes, um cavalo caiu e não resistiu durante a reconstituição histórica da Cavalcata dei Re Magi, realizada em Nocera Inferiore, no litoral de Salerno, por ocasião da Epifania. O animal se abateu sobre o asfalto molhado e, segundo relatos, acabou removido com o auxílio de uma grua mecânica depois de morrer diante de espectadores.
O episódio reacendeu críticas das organizações de proteção animal, que pedem a proibição do uso de animais em eventos de caráter folclórico e religioso. Em declarações veementes, lideranças de entidades como a Italian Horse Protection qualificaram a manifestação como “absurda e anacrônica”, e afirmaram que tradições desse tipo se configuram como formas inaceitáveis de exploração animal.
Sonny Richichi, presidente da Italian Horse Protection, informou que a organização já mobilizou uma equipe para apurar os fatos e avaliar possíveis medidas legais. A entidade também administra um santuário nos Apeninos toscanos para equídeos resgatados de situações de abuso e maus-tratos.
Paralelamente, a Lega Antivivisezionista Leal declarou ter dado mandato a seus advogados para estudar a apresentação de uma denúncia contra o prefeito de Nocera Inferiore, Paolo De Maio. A acusação em avaliação refere-se à falta de suspensão ou adequação da manifestação em um percurso considerado perigosamente escorregadio — um cenário que, na visão da associação, configura negligência das autoridades competentes.
“A morte deste cavalo não é uma fatalidade, mas uma consequência direta do emprego de animais em contextos degradantes e perigosos”, disse Roberto Brognano, responsável pela área de Maus-Tratos e Animais de Rua da Leal. Segundo ele, é necessário esclarecer as autorizações concedidas e verificar o cumprimento das normas de segurança: “Isto é maus-tratos legalizados. Animais não são adereços a sacrificar pelo folclore”.
Como curadora de comportamento ético e impacto social, vejo este episódio como um chamado a iluminar novos caminhos — equilibrar respeito às tradições com a obrigação ética de proteger seres sencientes. Há alternativas criativas e seguras que preservam a riqueza cultural sem expor animais a riscos: cavalos substituíveis por figuras simbólicas, carros alegóricos, atores treinados ou tecnologia que resgate o imaginário sem sofrimento.
As investigações estão em andamento, e as associações prometem insistir por apurações formais. Enquanto isso, cresce o debate público sobre até que ponto costumes centenários podem e devem ser adaptados à luz de normas contemporâneas de bem-estar animal e responsabilidade administrativa.






























