Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: uma equipe multidisciplinar do Hospital San Marco, em Catania, realizou com sucesso a reparação microcirúrgica de uma rara forma grave de espinha bífida, a **mielomeningocele**, em uma neonata. O procedimento ocorreu após diagnóstico pré-natal e foi conduzido com prontidão técnica e coordenação entre Obstetrícia, Neonatologia e Neurocirurgia.
A malformação — consequência da falha no fechamento do canal vertebral durante o desenvolvimento embrionário — provoca a protusão do tecido medular, das raízes nervosas e das meninges, frequentemente sem proteção adequada. Sem intervenção imediata, a condição pode evoluir para déficits neurológicos severos, paralisias, incontinência e malformações cerebrais associadas, como a síndrome de Arnold-Chiari e hidrocefalia.
O caso foi identificado já na gestação graças às atividades de rastreamento realizadas no ambulatório solidale coordenado por Caterina Carpinato, em colaboração com Pasqua Betta, diretora da Neonatologia e UTIN do “Rodolico”. Essas profissionais mantêm, segundo apuração, um programa contínuo de assistência a mulheres em condição de vulnerabilidade — em especial estrangeiras — garantindo percursos assistenciais qualificados mesmo em situações de alta complexidade.
Durante os exames pré-natais, foi detectada uma protuberância na região lombar do feto. As equipes optaram por acompanhar até a maturidade fetal e programaram o parto. A mãe — mulher extracomunitária acompanhada no ambulatório solidale — foi internada na 39ª semana no ponto de parto do San Marco.
O parto ocorreu por cesariana, realizada pelas ginecologistas Maria Grazia Arena e Emanuela Sampugnaro, com anestesia conduzida por Roberto Napoli. A assistência imediata à neonata ficou a cargo das neonatologistas Laura Mauceri e Carla Cimino. A estabilização clínica pós‑nascimento foi coordenada pela Unidade de Neonatologia dirigida, no momento do evento, por Marco Saporito, em estreita colaboração com a equipe de Neurocirurgia.
Foram realizados exames complementares, incluindo ressonância magnética encefalo‑medular, imprescindível para mapear as malformações e planejar a intervenção. O diretor do serviço de Neurocirurgia, Dr. Barbagallo, com o neurocirurgião Francesco Certo e a anestesista Gabriella Russo, executou a reparação microcirúrgica do mielomeningocele lombar.
Ao término da operação, a recém-nascida apresentava condições clínicas estáveis e, segundo os responsáveis pela cirurgia e pelos cuidados neonatais, não evidenciava déficit neurológico nos membros inferiores. A paciente foi transferida para a Terapia Intensiva Neonatal para monitorização contínua e seguimento multidisciplinar.
Fontes médicas consultadas ressaltam que, em países ocidentais, a incidência de espinha bífida reduziu significativamente por efeito da profilaxia com ácido fólico antes e no início da gestação. Ainda assim, casos complexos persistem e demandam diagnóstico precoce, planejamento obstétrico e capacidade cirúrgica especializada para reduzir sequelas graves.
O episódio no Hospital San Marco é um exemplo de articulação clínica em uma rede pública hospitalar: diagnóstico prenatal em ambulatório solidale, gestão obstétrica programada, estabilização neonatal imediata e intervenção microcirúrgica coordenada. A apuração demonstra que, com protocolos claros e equipes experientes, é possível minimizar riscos e preservar função neurológica mesmo em malformações de alta gravidade.
Continuaremos a acompanhar a evolução clínica da paciente e as avaliações de acompanhamento neurológico e urológico previstas nos próximos meses. O caso segue sob os cuidados da equipe de Neonatologia e Neurocirurgia do San Marco.


















