Resumo — A perícia técnica anexada ao inquérito sobre o caso Paragon aponta que o período provável de comprometimento dos aparelhos usados pelos ativistas Luca Casarini e Giuseppe Caccia, assim como pelo jornalista Francesco Cancellato, remonta às primeiras horas de 14 de dezembro de 2024. O levantamento consta na nota conjunta das procuradorias de Roma e Nápoles, que, sob o coordenamento da Procura Nacional Antimafia e Antiterrorismo, investigam, contra desconhecidos, os crimes de acesso abusivo a sistema informático e interceptação ilícita de comunicações.
Os peritos indicam que a observação de três ataques executados na mesma noite sugere que todos fariam parte de uma única campanha de infecção. A investigação concentra-se no software espião batizado de Graphite, desenvolvido pela empresa israelense Paragon Solution, usado para exfiltração de dados e interceptação.
Com base em apurações prévias, inclusive no relatório do Copasir sobre o uso do spyware Graphite pelos serviços de informação, aprovado em 4 de junho de 2025, havia indícios de que a Aisi havia empregado o software, com autorizações legais, contra Giuseppe Caccia e Luca Casarini. Por isso, as procuradorias de Roma e Nápoles promoveram um acesso, nos termos do artigo 256‑bis do Código de Processo Penal, ao ambiente da Aisi.
A exibição e análise dos dados do servidor Graphite utilizado pela Aisi confirmou atividades realizadas na madrugada de 14 de dezembro direcionadas a Casarini e Caccia. Todavia, até o momento, não foram encontrados traços que liguem operações no servidor da Aisi a Francesco Cancellato. O comunicado oficial sublinha que, à vista dos elementos disponíveis, permanece ausente qualquer indício que conecte a atividade investigada à Aisi no tocante a Cancellato.
Os peritos técnicos também detectaram uma série de anomalias nos bancos de dados do WhatsApp dos três dispositivos Android analisados, compatíveis com comportamentos descritos nos relatórios da Meta sobre o funcionamento do Graphite. Essa convergência técnica reforça a hipótese de uma ação coordenada sobre múltiplos alvos na mesma janela temporal.
As investigações prosseguem com o objetivo de identificar os autores do acesso abusivo e da interceptação ilícita praticados contra Cancellato. A ausência de vestígios no servidor da Aisi quanto ao jornalista não exclui outras linhas de apuração; as procuradorias acompanham as pistas técnicas e documentais para delimitar responsabilidades e origem das campanhas de intrusão.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e análise forense seguem em curso. A realidade traduzida até agora indica presença comprovada de operações no servidor Graphite da Aisi contra dois dos investigados e ausência de elementos equivalentes para o terceiro, Cancellato. O caso permanece aberto e em evolução.






















