Conflito aberto entre as defesas marca a retomada das investigações sobre o homicídio de Chiara Poggi, ocorrido há 18 anos em Garlasco. De um lado, a advogada de Alberto Stasi questiona os novos levantamentos solicitados pelos pais da vítima, que teriam apontado um possível motivo para o crime; do outro, os representantes da família Poggi afirmam ser “deveroso” aprofundar apurações diante da possibilidade de um futuro julgamento de revisão.
A tensão ressurge no contexto da reabertura do inquérito que levou a uma nova acusação formulada pela procuradoria de Pavia contra Andrea Sempio e a uma reconstrução alternativa dos fatos. Esse movimento judicial fez aflorar posições contrárias entre quem defende a tese da inocência de Stasi e quem sustenta que novos elementos devem ser levados em consideração.
A advogada que acompanha Stasi há anos, Giada Bocellari, reagiu publicamente às conclusões divulgadas por peritos datiloscópicos e informáticos contratados pela família Poggi, que, segundo os laudos, indicariam que a agressão a Chiara poderia ter começado na cozinha da casa da vítima, e não na entrada da residência na via Pascoli. Os peritos também teriam levantado a hipótese de que, na noite anterior, Chiara Poggi teria acessado o computador de Stasi durante sua ausência temporal e encontrado arquivos de conteúdo pornográfico.
Bocellari afirmou que tal informação “não resulta confirmada”, lembrando que já existe uma perícia anterior que não sustentou essa conclusão. Em nota, anunciou que a defesa de Stasi vai ampliar o escopo da análise forense, incluindo agora uma verificação técnica também no computador de Chiara. A medida, segundo a advogada, segue o procedimento técnico e processual adequado, com “apuração in loco” e “cruzamento de fontes”.
A advogada condenou ainda o que classificou como um “continuado esforço” de quem representa as vítimas em buscar, por meio de anúncios públicos, supostas novas provas contra um condenado que, em tese, não poderia ser mais novamente processado pelo mesmo fato. Bocellari sustentou que, se os novos elementos fossem realmente relevantes para a verdade, deveriam ser imediatamente oferecidos aos promotores de Pavia para serem avaliados no inquérito em curso contra Sempio.
Do lado da família Poggi, o histórico do processo e o direito ao esclarecimento dos fatos pesam na decisão de solicitar novas perícias. Os pais de Chiara — que, com o filho Marco, voltaram a se ver implicados na investigação desde março do ano passado — argumentam que não apenas têm o direito, mas a obrigação moral de buscar quaisquer elementos que possam contribuir para a reconstituição da dinâmica do crime e para a eventual revisitação judicial dos atos.
Importa recordar: Alberto Stasi cumpre uma pena de 16 anos relacionada à condenação definitiva pelo homicídio de Chiara Poggi. A reaparição de novos laudos e a implicação de outro investigado colocam novamente o caso no centro das atenções da opinião pública e do sistema penal italiano.
Em meio às declarações públicas, a defesa de Stasi reiterou sua convicção de que quaisquer novos elementos e medidas legais devem ser formalizados nas sedes competentes, evitando a instrumentalização midiática do processo. A postura é a de canalizar prováveis provas técnicas diretamente ao Ministério Público de Pavia, onde tramita a investigação sobre Sempio.
Reportagem assinada por Giulliano Martini — apuração em campo e cruzamento de fontes para entrega dos fatos brutos e verificados.






















