O juiz para as instruções preliminares (gup) Fabrizio Filice decidiu encaminhar a julgamento os arquitetos de projeção internacional e docentes do Politecnico di Milano, Stefano Boeri e Cino Zucchi, no âmbito do processo relativo ao concurso internacional para a construção da nova BEIC (Biblioteca europea di informazione e cultura) em Milão.
Além de Boeri e Zucchi, o magistrado determinou o rinvio a giudizio de outros quatro profissionais envolvidos no mesmo procedimento, totalizando seis réus que deverão responder por supostas condutas indicadas nas peças de imputação. As acusações formais são de turbativa d’asta e de falsas dichiarazioni em merito a conflitti di interesse, segundo a decisão do gup.
A primeira audiência foi marcada para 17 de abril pelo tribunale competente. A decisão do gup ocorre após análise das peças processuais e do material probatório reunido durante a fase investigativa. Em nossa apuração, com cruzamento de fontes jurídicas e consulta à documentação pública do procedimento, constata-se que a acusação concentra-se em possíveis irregularidades no diálogo entre concorrentes e na veracidade das declarações relativas a conflitos de interesse exigidas pelo bando do concurso.
O caso refere-se ao concurso internacional para a realização da nova Biblioteca europea di informazione e cultura — projeto de grande visibilidade urbana e cultural para Milão — cujo procedimento licitatório despertou atenção pública e institucional desde sua abertura. A instrução judicial agora encaminha para a etapa de julgamento questões centrais sobre a regularidade do certame e a conduta dos profissionais de destaque envolvidos.
Como repórter com apuração em campo e cruzamento de dados, enfatizo que a remessa a julgamento não constitui condenação: trata‑se da etapa processual em que as provas serão avaliadas pelo tribunal em audiência pública. A marca profissional dos réus e seu vínculo acadêmico com o Politecnico di Milano intensificaram o interesse institucional e midiático pelo caso, dado o reflexo das decisões na credibilidade de concursos públicos e na governança de projetos culturais de larga escala.
O calendário fixado pelo gup aponta para a próxima fase processual. Cabe à acusação demonstrar em juízo os elementos que teriam caracterizado a turbativa d’asta e as supostas falsas dichiarazioni, enquanto a defesa terá oportunidade de contestar as provas e apresentar contraprovas. A audiência de 17 de abril será, portanto, o primeiro momento público em que todas as partes exporão suas versões sob o crivo do tribunal.
Seguiremos acompanhando os desdobramentos do processo com a mesma disciplina investigativa: apuração in loco quando possível, cruzamento de fontes judiciais e institucionais, e relato dos fatos brutos sem pressa para conclusões precipitadas. A realidade traduzida exige tempo para que o contraditório se consume no tribunal.






















