Casalbore — Em depoimento aos Stati generali dei piccoli comuni, em curso no Centro Congressi La Nuvola, em Roma, o prefeito de Casalbore (província de Avellino), Emilio Salvatore, destacou a desigualdade material que afeta as administrações locais de menor porte. Segundo o gestor, os pequenos municípios enfrentam as mesmas obrigações e problemas dos grandes centros, porém dispõem de muito menos recursos humanos e orçamentários para respondê‑los.
“É importante a presença a este evento decisivo organizado. Com o projeto ‘piccoli Comuni‘ nós tivemos a possibilidade de intervir em setores que, de outra forma, sozinhos nunca teríamos conseguido abordar”, afirmou Salvatore, em declaração reproduzida durante as sessões que se estendem até 20 de fevereiro.
O prefeito explicou que, graças à interlocução com a Anci (Associação Nacional de Municípios Italianos), o município foi colocado em condição de atuar com maior efetividade: “Graças à Anci fomos postos nas condições de poder operar”. Como desdobramento prático, a administração local deliberou a criação do chamado Ufficio Europa — um escritório físico que está em fase de estruturação e que, conforme Salvatore, funcionará como ponte entre as instituições europeias e as comunidades dos pequenos municípios.
“O município de Casalbore deliberou abrir o Ufficio Europa, do qual agora estamos estruturando a sede física: um escritório à disposição da cidadania que faça de intermediário entre a Europa e os pequenos municípios”, detalhou o prefeito. A iniciativa visa facilitar o acesso a financiamentos, programas e parcerias, minimizando a lacuna administrativa e técnica que frequentemente impede gestões municipais de menor porte de aproveitar oportunidades externas.
A fala de Salvatore sintetiza um diagnóstico recorrente entre gestores de localidades pequenas: a coincidência entre carga de responsabilidades e insuficiência de meios práticos. “Ser prefeito de um pequeno município traz muitas críticas e limitações porque temos as mesmas problemáticas, incumbências e responsabilidades dos prefeitos dos grandes municípios, mas temos poucas possibilidades de enfrentá‑las, tanto do ponto de vista orçamentário quanto de pessoal”, afirmou.
Do ponto de vista técnico, o argumento do prefeito aponta para dois vetores fundamentais: a necessidade de capacidade institucional para gerir projetos complexos e o acesso facilitado a fontes de financiamento externas. “Ser colocados nas condições de interagir com a Europa, que é um ponto de referência importante também para nós — e não apenas para os ministérios —, nos permite respirar um pouco mais e trabalhar melhor para nossas comunidades”, concluiu.
Relato com base em apuração in loco e cruzamento de fontes junto aos organizadores do evento e representantes locais. O pronunciamento de Emilio Salvatore reforça o raio‑x do cotidiano dos pequenos municípios italianos: responsabilidades equivalentes às dos grandes, porém com margem de manobra reduzida por falta de pessoal qualificado e recursos financeiros.
Para leitores e gestores públicos interessados, a experiência de Casalbore ressalta a importância de estruturas dedicadas — como o Ufficio Europa — que atuem como interface técnica e administrativa entre as comunidades locais e os programas europeus, potencialmente ampliando o alcance de políticas públicas e investimentos.





















