Por Giulliano Martini — Apuração direta e cruzamento de fontes.
Em entrevista republicada a partir da publicação original de 28 de novembro, o ator turco Can Yaman descreve a trajetória que o levou de consultor e bacharel em Direito a intérprete do lendário pirata na nova série Sandokan. Convidado para a primeira noite do Festival de Sanremo, em 24 de fevereiro, Yaman detalha preparação física e emocional para o papel e critica o enquadramento que costuma receber da imprensa.
Nascido em Suadiye, Istambul, há 36 anos, Yaman diz ter origem kosovar e turca. A retomada da carreira acontece quando, ainda jovem e trabalhando como consultor na Price WaterhouseCoopers em Istambul, foi notado durante um casamento em Moscou e recebeu a proposta para uma pequena participação na televisão. A aparição inicial não o afastou da carreira formal — ele concluiu Direito e era um estudante modelo —, mas a insatisfação com a rotina de escritório o levou a optar pela atuação aos 24 anos.
Depois de papeis em novelas turcas exibidas na Itália, como Bittersweet – Ingredienti d’amore e Day Dreamer – Le ali del sogno, Yaman viu sua popularidade crescer, inclusive após a mudança para a Itália em 2021. Apesar da visibilidade, ele reclama do lugar-comum em que é encaixado: “estou cansado de interpretar o papel do cara bonito que agrada às mulheres”. Na preparação para Sandokan, conta que perdeu 10 quilos e que costuma cumprir jornadas de trabalho de 16 horas por dia.
A produção internacional de oito episódios é assinada pela Lux Vide (Grupo Fremantle) em parceria com Rai Fiction, com direção de Jan Michelini e Nicola Abbatangelo. No elenco, Alessandro Preziosi interpreta Yanez de Gomera, Alanah Bloor encarna a Perla di Labuan, enquanto John Hannah e Ed Westwick assumem os papéis do sargento Murray e de Lord Brooke, respectivamente. A série situa-se no Borneo de 1841, em meio a conflitos entre populações locais e potências coloniais.
Yaman explica que o projeto permitiu um trabalho de preparação amplo, inclusive porque as filmagens foram adiadas devido à pandemia. Ele definiu Sandokan como um personagem mais complexo do que o estereótipo do aventureiro: “é um pirata com coração ao estilo Robin Hood, dotado de forte espiritualidade e um sorriso mesmo em combate”.
Sobre as referências literárias, o ator admite que não conhecia a obra de Emilio Salgari na Turquia e que passou a estudar a saga a partir de 2021, já em preparação para assumir o papel. A pronúncia do nome, acrescenta com precisão, se aproxima do francês: Can se diz como “Jean”.
No plano pessoal, a exposição pública de Yaman cresceu com a fama: ele tem aparecido muito menos em público acompanhando intimidade, mas foi visto recentemente ao lado da DJ Sara Bluma, de origem argelina. O ator reforça que quer ser avaliado pelo ofício e não apenas pelo apelo físico.
Em tom direto, a entrevista reafirma o percurso técnico do ator — da consultoria à cena internacional — e descreve os sacrifícios e o método por trás de uma personagem que retorna ao imaginário popular meio século após a primeira grande versão televisiva de Sandokan. A reportagem baseia-se em depoimentos, ficha técnica da produção e confirmação de nomes do elenco e da direção, cruzados com registros públicos e anúncios da Rai e da produtora.
Ficha rápida: série em oito episódios, estreia em RaiUno a partir de 1º de dezembro; produção Lux Vide/Rai Fiction; diretores Jan Michelini e Nicola Abbatangelo; elenco internacional com Alessandro Preziosi, Alanah Bloor, John Hannah, Ed Westwick.






















