Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. O juiz para as investigações preliminares de Imperia convalidou a prisão de Manuela A., mulher de 43 anos acusada de omicídio preterintencional da filha de dois anos, cujo corpo foi encontrado em uma residência de Bordighera há dois dias. A medida cautelar de prisão preventiva foi determinada pelo risco de inquinamento das provas.
Segundo o relato oficial, a detida afirmou inicialmente que a criança teria caído pelas escadas. Essa versão perdeu sustentação após a primeira inspeção do médico legista. O corpitinho apresentava numerosos lividos e hematomas que, conforme o laudo preliminar, são decorrentes de golpes voluntários, alguns possivelmente provocados por objetos contundentes. Com base nessa constatação e no resultado de um longo interrogatório, os investigadores efetuaram a prisão.
Os fatos ocorreram em Montenero, uma localidade de Bordighera, dentro de uma villete protegida por uma sebe e sistema de videovigilância, a poucos metros de um imóvel recentemente confiscado à máfia. Pelos elementos colhidos até agora, o episódio teve desfecho rápido: a criança entrou em crise respiratória, a mãe telefonou para o serviço de emergência 118 e, apesar das manobras de reanimação realizadas pelos socorristas, a menina evoluiu para parada cardiorrespiratória e não resistiu.
A mãe tem outros dois filhos, de 9 e 10 anos. Em seu depoimento — colhido na presença do substituto de procurador Veronica Meglio —, ela afirmou que, dias antes, a menina teria sofrido uma queda nas escadas, mas que então apresentava-se bem. Na versão apresentada à polícia, a mulher saiu de casa por um período e, ao retornar, encontrou a filha desacordada e sem respiração, procedendo então ao chamado ao 118. A acusada nega ter agredido a criança.
Os carabinieri acessaram as imagens do sistema de videovigilância na busca de elementos que confirmem ou contradigam o relato da mãe. O laudo do médico legista, encomendado pela Procuradoria, descreveu as lesões como resultantes de ações deliberadas — argumento central para que a equipe de investigação considerasse incompatível a versão de acidente doméstico.
Combinadas, a perícia e as imagens reforçaram a convicção dos investigadores de que houve omissão e possíveis agressões antes do óbito, razão pela qual a acusação foi formalizada por omicídio preterintencional e a prisão foi decretada. A defesa, representada pela advogada Laura Corbetta, declarou aos jornalistas que solicitou a aplicação de prisão domiciliar na residência do pai da acusada, pedido que ainda está em avaliação pela autoridade judicial. A advogada sustenta a versão de queda acidental e nega que tenha havido intenção de ferir a criança.
Fontes do inquérito informam que a Procuradoria aguarda novos elementos de investigação para decidir os passos seguintes. Os magistrados continuam com diligências e exames técnicos — entre eles, a autópsia que deve ser disposta nos próximos dias —, com o objetivo de consolidar o quadro fático e esclarecer a dinâmica dos eventos.
Trata-se de um caso que, pela gravidade dos indícios e pela proximidade de locais sensíveis (como o imóvel confiscado à máfia), atrai a atenção das autoridades locais e exige apuração rigorosa. O procedimento segue em curso, com prioridade para a preservação de provas e a proteção das demais crianças envolvidas.
Resumo técnico: convalidação da prisão por risco de inquinar provas; laudo preliminar do médico legista aponta lesões compatíveis com agressões voluntárias, algumas por objetos contundentes; investigação baseada em videovigilância e depoimentos; defesa pleiteia prisão domiciliar; autópsia e novas diligências em andamento.





















