Por Giulliano Martini – Em nota publicada nas redes sociais, a cantora Bigmama expressou indignação e fez um desabafo direto após o retorno à Itália depois de dias retida em Dubai em decorrência das tensões e ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A artista repudiou com veemência as críticas e ameaças que enfrentou ao regressar ao país.
“Vergonha a todas as pessoas que, em um momento tão delicado, decidiram nos atacar, manchar nossa reputação e mentir”, escreveu a cantora, em um post que reuniu declarações de revolta e esclarecimentos sobre o episódio. “Vergonha a quem nos desejou morrer longe de casa e da família. A sua ignorância é desarmante”, acrescentou.
No texto, Bigmama detalhou as circunstâncias do retorno: o bilhete original de volta estava marcado para 28 de fevereiro e o voo que a trouxe partiu apenas no dia 5 de março, após dias de espera. O percurso inicial partiu de Malé às 10h15 do dia 28 de fevereiro com escala prevista em Dubai às 13h40; durante a fase de aproximação o aeroporto foi fechado e a aeronave foi desviada para Fujairah. Passageiros foram transportados de ônibus até um hotel em Dubai, onde permaneceram até a remarcação do voo.
A cantora deixou claro que o bilhete do voo de retorno foi adquirido com recursos próprios e que também arcou com o táxi até o aeroporto em Dubai. “Bilhete pago com meu dinheiro, como o táxi que usei para chegar ao aeroporto em Dubai”, afirmou, rebatendo insinuações que surgiram nas redes sobre eventuais favores ou privilégios.
Em tom firme, Bigmama reiterou posicionamento histórico contra conflitos: “Na minha vida, sempre me posicionei contra qualquer tipo de guerra e continuarei a fazê-lo”. A artista ressaltou ainda a sua condição de privilégio ao poder escrever do próprio lar: “Sinto-me profundamente privilegiada por poder escrever estas palavras da minha casa”.
Ao contextualizar a dimensão humana da experiência, a cantora lembrou que há populações que convivem com a guerra diariamente. “A sensação de impotência que nos domina é terrível e destrutiva. O medo de morrer faz esquecer que se está vivo”, escreveu, cobrando empatia daqueles que minimizaram o episódio.
Bigmama também refutou acusações relacionadas à sua nacionalidade e vínculo com o Estado italiano: “Sou cidadã italiana, com residência em Milão, e pago impostos ao Estado. Tenho o direito de pedir ajuda, se necessário, independentemente das minhas ideias políticas”. A cantora negou ter declarado ódio à Itália, lembrando uma entrevista anterior em que, questionada sobre representação estatal em função de sua sexualidade, respondeu que não se sentia representada — posição que, segundo ela, não exige justificativa.
O desabafo procurou, na prática, limpar rumores e reafirmar fatos: atraso e desvio de voo por fechamento do aeroporto, acomodação provisória em hotel, reemissão de bilhete para 5 de março e despesas pessoais. O tom é de repúdio às agressões verbais e de apelo à compreensão sobre a gravidade do quadro internacional que motivou o cancelamento e o adiamento das ligações aéreas.
Apuração rigorosa e cruzamento de informações junto a fontes do setor aéreo e relatos de passageiros confirmam a sequência de eventos narrada pela artista: desvio para Fujairah, transporte rodoviário até Dubai e embarque somente após negociações e reorganização da malha aérea. Aos que atacaram, ficou a resposta direta: “Fazem nojo e sempre hão de fazer”.
Em termos práticos, Bigmama concluiu pedindo que as atenções se voltem para as vítimas reais dos conflitos e para o debate mínimo de civilidade em períodos de crise.






















