APURAÇÃO EM LOCO por Giulliano Martini — A imagem da biblioteca Angelo Marsiano pendurada sobre o precipício tornou-se um dos símbolos mais nítidos do desastre que atingiu Niscemi após a frana do costone. No interior, cerca de 4.000 livros, além de mapas e documentos históricos que reconstruem a trajetória da cidade, estão ameaçados.
O prédio, situado no coração do bairro Sante Croci, na via Roma 67, tem parte de sua estrutura suspensa sobre um abismo de centenas de metros. A entrada principal dá para um passeio que, em parte, não tem mais base sólida embaixo. Os volumes estão armazenados, em grande parte, em um porão — uma sala da biblioteca que hoje está literalmente no limite.
O alerta pela preservação desse acervo partiu de escritores sicilianos, entre eles a romancista Stefania Auci, que mobilizou colegas e lançou um apelo público para que o patrimônio não se perca. Nomes como Nadia Terranova constam entre os signatários que pedem intervenção imediata das autoridades competentes.
O prefeito Massimiliano Conti confirmou a gravidade da situação: “O recupero dei 4 mila libri, in questa fase, è pericolosissimo”, citando a avaliação das equipes técnicas. Em declaração traduzida e registrada pela nossa apuração, o gestor municipal informou que qualquer tentativa de salvamento só será realizada quando houver condições totais de segurança e em coordenação com os vigili del fuoco e a protezione civile.
Do ponto de vista técnico, a operação de salvamento é complexa: o risco de colapso adicional do terreno exige sondagens geotécnicas, reforço estrutural provisório e logística especializada para a extração de material valioso sem provocar movimentações. Equipes municipais e assessores de proteção civil trabalham no levantamento de alternativas, enquanto o tecido cultural local pressiona por soluções rápidas.
O acervo da Angelo Marsiano não é apenas uma coleção de livros: reúne a memória documental e identitária de Niscemi e contém registros relevantes para a história da Sicília. Perder esse material significaria lacunas permanentes em arquivos locais e regionais. Por isso, a demanda por salvaguarda envolve não apenas a prefeitura, mas também instituições culturais e experts em restauração e salvamento de bens culturais.
Em termos práticos, o prefeito adiantou que, quando as condições de risco diminuírem, será avaliada a possibilidade de intervenções controladas: “Se sarà possibile recuperare qualcosa, di comune accordo con vigili del fuoco e protezione civile, lo faremo. Tutto dovrà essere eseguito in sicurezza”, afirmou Conti. Resta agora a definição de um cronograma técnico-financeiro e a identificação de recursos urgentes para que o trabalho seja feito com segurança.
O episódio de Niscemi coloca em destaque a fragilidade de patrimônios locais diante de eventos geológicos e climáticos. A mobilização de escritores e a resposta do município marcam o início de uma operação que deverá combinar perícia técnica e proteção do patrimônio cultural — com a máxima prioridade pela segurança das equipes.
Espresso Italia acompanhará as próximas etapas com cruzamento de fontes e apuração contínua, fornecendo o raio-x dos procedimentos adotados e evolução do salvamento do acervo da Angelo Marsiano.





















