Bebê encontrada morta em Bordighera: mãe presa após laudo indicar agressões
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. O GIP de Imperia determinou a prisão preventiva de Manuela A., 43 anos, sob a acusação de homicídio preterintencional da filha de 2 anos, depois que o exame médico-legal constatou sinais de violência no corpo da criança. Segundo a ordem judicial, a mulher teria transportado o corpo da filha por horas, desde a casa do companheiro até Montenero, localidade de Bordighera.
De acordo com a reconstrução das autoridades, a criança morreu na noite entre 8 e 9 de fevereiro, entre meia-noite e 2h. A mulher solicitou a intervenção do serviço de emergência 118 às 8h21 da manhã na sua residência em Bordighera, mas, para o juiz, a menina já estava morta há várias horas naquele momento.
A Procuradoria de Imperia inscreveu no registro de investigados também o companheiro de Manuela, um homem de 42 anos natural de Perinaldo, cuja casa foi sequestrada pelos carabinieri. Ele está sob investigação em liberdade pela mesma imputação. A prisão preventiva da mãe foi motivada, segundo o juiz, pelo risco de inquinamento das provas.
Durante o interrogatório, conduzido pelo substituto-procurador Veronica Meglio, Manuela apresentou uma versão que não convenceu integralmente os investigadores. Inicialmente afirmou que a filha havia caído das escadas dias antes e que, apesar disso, estaria bem. Relatou ainda que saiu de casa por algumas horas deixando os três filhos — a menina de 2 anos e outros dois de 9 e 10 anos — e, ao retornar, encontrou a criança em crise respiratória, sem respiração, e teria então chamado o 118. Negou ter agredido a filha.
O exame externo realizado pelo médico-legal, requisitado pela Procuradoria, contradiz a versão. O corpo da menina apresentava múltiplos hematomas. Conforme o laudo, havia lesões compatíveis com golpes voluntários, alguns provocados por objetos contundentes. Essa constatação, combinada com a análise das imagens do sistema de vídeo da propriedade, levou os investigadores a concluir que a narrativa da mãe era inconsistente e que havia indícios suficientes para a custódia cautelar em prisão.
Os fatos ocorreram em uma vila de Montenero, protegida por densa sebe e por um sistema de vigilância, a pouca distância de um imóvel recentemente confiscado à máfia. Segundo as apurações, tudo teria se passado em questão de minutos: a criança apresentou quadro de insuficiência respiratória, houve tentativa de reanimação pelos socorristas do 118, porém a menina entrou em parada cardíaca e não respondeu às manobras de ressuscitação.
Os carabinieri analisaram as gravações das câmeras buscando contraprovas à versão apresentada pela mãe. A equipe pericial destacou ao juiz que as lesões não são compatíveis com uma queda acidental das escadas e que certas contusões têm padrão de agressão deliberada. Com base nisso, e diante do risco de destruição ou alteração de provas, a prisão em prisão preventiva foi decretada, segundo a medida judicial obtida pela reportagem.
Restam pendentes diligências da investigação: exame médico-legal complementar, exame das imagens de vídeo em detalhe temporal, inquirição das testemunhas e análise dos laudos sobre a dinâmica dos ferimentos. O companheiro de 42 anos permanece indiciado e a casa dele foi apreendida para perícia.
Este é um caso que será acompanhado de perto. Apuração rigorosa, cruzamento de provas e transparência processual serão essenciais para estabelecer as responsabilidades e a cronologia precisa dos fatos.






















