Por Giulliano Martini — A partir de sexta-feira, 13 de fevereiro, entrou em vigor mais um reajuste nos preços dos produtos do tabaco na Itália. Trata-se do terceiro aumento desde o início do ano, parte do processo de adequação fiscal que impacta todo o setor e se traduz em listas de preços atualizadas nas tabaccherie de todo o país.
O novo aumento sucede dois ajustes recentes: em 16 de janeiro foi aplicado um primeiro acréscimo, em média de cerca de €0,30 por pacote, que já havia afetado produtos de fabricantes como a Philip Morris e outras marcas — com referencias como as Marlboro alcançando preços de até €6,80. Um segundo ajuste entrou em vigor em 30 de janeiro e ampliou a revisão também a cigarros, sigaretti e tabaco trinciado.
Conforme as tabelas publicadas pela Agenzia delle Dogane, o ato de hoje altera os preços de 75 referências entre cigarros, cigarros finos, sigaretti e trinciati. Nos documentos oficiais aparecem códigos relativos a tabaco trinciado com embalagens de 30 g e 45 g, que sofreram alinhamento no valor por quilo e no preço por embalagem. Na maioria dos casos, as variações aplicadas aos diferentes produtos correspondem a aproximadamente €0,30 por embalagem, em consonância com a revisão das accise.
O cruzamento das tabelas evidencia um ajuste capilar sobre referências amplamente presentes no mercado. Entre as marcas afetadas estão várias variantes da Winston, em estojos ou cartuchos de 20 unidades, além de uma ampla gama da Benson & Hedges. Também constam nomes como American Spirit, Camel e outros produtos do segmento mainstream. Em muitas famílias de produto, os preços ao quilo aparecem homogêneos, demonstrando um alinhamento fiscal que procura uniformizar a tributação entre referências semelhantes.
O contexto da alta de preços convive, contudo, com problemas crônicos de fiscalização ao redor da venda para menores. Segundo pesquisa realizada em novembro pelo Moige (Movimento Italiano Genitori), em parceria com o Instituto Piepoli, com amostra de 2.123 jovens entre 10 e 17 anos, 95% sabem que o fumo é prejudicial, mas 28% já experimentaram ao menos um cigarro — e 8% declaram fumar habitualmente.
A investigação aponta motivos de iniciação predominantemente por curiosidade (20%) e por busca de relaxamento (9%). Entre os jovens que fumam, 76% o faz em companhia; 56% refere ter apenas experimentado ou fumar ocasionalmente. Quanto à intensidade, 26% consome entre 1 e 5 unidades por dia, 4% chega a um maço de 20 diárias e 2% fuma acima de um maço por dia — percentual que, segundo o levantamento, dobrou em relação a 2023.
Os canais de aquisição informados pelos menores mostram prevalência de tabaccherie (45%) e de distribuidores automáticos (22%). Estratégias de compra incluem o uso da tessera sanitaria de amigos mais velhos (52%) ou de familiares (38%); 17% pede a compra a colegas. No aspecto comercial, a apuração cruzada revela falhas: 60% dos vendedores não verificaram a idade e 45% admitiram não negar a venda mesmo cientes de que se tratava de um menor.
As mudanças publicadas hoje não se restringem às marcas tradicionais de cigarro: códigos referentes a outros produtos derivados do tabaco também foram atualizados nas tabelas oficiais, ampliando o alcance do reajuste fiscal. O movimento mostra um esforço de alinhamento tributário que, na prática, tende a repassar custos ao consumidor final e a reconfigurar a competitividade entre referências no ponto de venda.
Apuração in loco e cruzamento de fontes: mantemos o acompanhamento das repercussões nas tabaccherie e da evolução dos preços nas próximas semanas, à medida que os listinos atualizados se consolidam no varejo.






















