Por Giulliano Martini – Apuração e cruzamento de fontes em Bruxelas e Roma.
Os efeitos da escalada no Médio Oriente e da crise no Irão têm impacto imediato nos preços praticados na bomba na Itália. Segundo dados oficiais divulgados hoje, a aumento dos combustíveis traduz-se em média por uma gasolina em self-service a 1,693 euro por litro e um diesel médio a 1,753 euro por litro. O cenário mais crítico, porém, está nas autoestradas, onde há registos de diesel a 2,50 euro por litro em serviço atendido, segundo denúncias do Codacons, com pontos críticos em troços como a A4 Milão-Brescia.
O transporte rodoviário soçobra imediatamente perante os aumentos. Conftrasporto alerta que “o nosso setor paga a conta antes de todos”, já que o transporte por estrada é responsável por cerca de 80% do fluxo de mercadorias no país. A Cna Fita estima um encargo médio adicional de 2.400 euros por ano por cada caminhão; esse montante poderia subir para mais de 13.000 euros caso o conflito se prolongue.
A Assotir relata variações no preço do diesel que vão de +0,10 euro/litro na Lombardia até +0,24 euro/litro na Sicília, e aponta problemas de abastecimento em regiões como a Campânia e a Lombardia.
As acusações de especulação sobre os preços são contundentes. Adoc, o Centro de Formação e Pesquisa sobre Consumos (Crc) e, sobretudo, Assoutenti falam abertamente em “especulações” por parte das petrolíferas. O argumento central é que a Itália dispõe de reservas de combustíveis entre as mais elevadas da Europa, capazes de amortecer oscilações de mercado.
Gabriele Melluso, presidente da Assoutenti, anunciou a intenção de apresentar um expediente à Antitrust para investigar possíveis anomalias nas tabelas de preços: “Há um andamento totalmente anómalo pela rapidez e magnitude dos aumentos”, disse Melluso, lembrando que o petróleo foi comprado meses antes a preços inferiores e que não existe uma relação direta e imediata entre a cotação do Brent e o preço na bomba.
O Governo tenta acalmar: o ministro do Ambiente e da Segurança Energética, Gilberto Pichetto Fratin, afirmou que o país mantém “uma situação quantitativa segura, com os estoques mais elevados da Europa e fontes diversificadas”. Ainda assim, o ministro das Empresas, Adolfo Urso, convocou para sexta-feira, 6 de março, duas reuniões da Comissão de Alerta Rápido sobre preços, presidida por Benedetto Mineo, para monitorar mercados energéticos e o impacto potencial sobre a inflação.
As demandas do setor são imediatas. A Cna Fita pede um crédito-extraordinário de imposto, financiado pela receita adicional do IVA, denunciando aumentos sobre combustíveis adquiridos e refinados meses antes. A Conftrasporto solicita a suspensão imediata do ETS para o transporte e medidas extraordinárias de apoio logístico, citando ações similares já adotadas por países como a Espanha. O Crc propõe, por sua vez, uma redução imediata do IVA sobre os combustíveis.
Nos mercados internacionais, o Brent permanece em torno de 82 dólares por barril. No terreno nacional, o cruzamento de dados entre entidades públicas, associações de consumidores e representantes do transporte aponta um cenário de tensão: aumentos rápidos e localizados, reclamações por práticas de mercado e uma reação governamental orientada ao controle e à investigação.
Este é o raio-x do dia: preços em alta, impacto direto no custo logístico e uma disputa entre operadores e autoridades sobre se a origem dos aumentos é puramente conjuntural ou resultado de práticas especulativas. A apuração prossegue; estamos no front do acompanhamento dos mercados e do impacto real na cadeia de abastecimento.






















