Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. A Basílica Papal de São Francisco, em Assis, abriu nesta manhã a histórica ostensão pública e prorrogada das relíquias de São Francisco, ação inserida nas celebrações do oitavo centenário da morte do santo (1226-2026). A iniciativa foi anunciada na Sala Cimabue do Centro Convegni Colle del Paradiso pela comunidade dos frades do Sacro Convento, em coletiva que contou com a presença de autoridades religiosas, civis e representantes da mídia nacional e internacional.
Segundo o comunicado oficial do Sacro Convento, o período de exposição pretende reunir fiéis, peregrinos e instituições em torno de uma mensagem de fraternidade universal. Na descrição oferecida pelos franciscanos, a inspiração litúrgica para o tempo de ostensão é a parábola evangélica do semeador: “o que morre por amor germina e dá fruto”, afirmaram.
O diretor do escritório de comunicação do Convento, frei Giulio Cesareo, declarou que a ostensão integra um conjunto de iniciativas destinadas a demonstrar como o santo de Assis continua a ser um dom para todos. O gesto foi autorizado e abençoado pelo Santo Padre Leone XIV e recebeu, conforme lembrado na conferência, o encorajamento público de Papa Francisco em dezembro de 2023.
As operações práticas iniciaram-se já pela manhã com a exumação dos restos mortais do sarcófago situado na cripta. Para as 16h00 está prevista a celebração da transladação e os vésperas na igreja inferior, presidida pelo cardeal Ángel Fernández Artime. No próximo dia 22 de fevereiro, às 11h00, está agendada a celebração eucarística.
A ostensão se estenderá até 22 de março, acompanhada por um calendário articulado de eventos litúrgicos e culturais. A cerimônia de encerramento ocorrerá no dia 22 de março, às 17h00, na igreja superior, presidida pelo cardeal Matteo Maria Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana.
As autoridades locais e eclesiásticas presentes à apresentação incluíram o custódio do Sacro Convento, frei Marco Moroni; o bispo de Assis, dom Domenico Sorrentino; seu sucessor, dom Felice Accrocca; e a presidente da Região Umbria, Stefania Proietti. Segundo estimativas oficiais divulgadas pelo Convento, espera-se a chegada de aproximadamente 400 mil peregrinos a Assis ao longo do mês.
O procedimento comunicacional e litúrgico foi descrito como rigoroso e previsto em conformidade com normas de conservação e reverência às relíquias. A programação pública prevê momentos privados de oração diante das relíquias já a partir desta tarde, com a possibilidade de acolhimento individual e coletivo voltado à redescoberta das mensagens franciscanas de amizade, dom de si e esperança.
Relato direto e verificação: a abertura da ostensão confirma a centralidade de Assis no calendário religioso europeu para 2026 e marca um fluxo intenso de peregrinação que exigirá coordenação entre Diocese, Convento e autoridades civis para gestão de segurança, acolhimento e informação. A realidade traduzida em números e atos litúrgicos reafirma a intenção de transformar o aniversário em momento de encontro público e reflexão coletiva, sem perda do rigor histórico e da tutela do patrimônio.






















