Apuração in loco e cruzamento de fontes. Em Turim, uma manifestação nacional em apoio ao centro sociale Askatasuna reuniu, segundo os primeiros dados das forças de ordem, cerca de 15 mil pessoas que convergiram em um único cortejo ao longo do Po.
O corteo partiu de diferentes pontos da cidade: o campus de humanidades de Palazzo Nuovo, Porta Susa e Porta Nuova, com segmentos que se encontraram e se unificaram numa coluna principal. À frente do bloco em formação junto à estação Torino Porta Nuova havia bandeiras da Palestina, cantos pró-Palestina e cartazes pedindo a liberdade de Mohammed Hannoun, Dawoud e Yaser Elasaly — menções ligadas à investigação sobre supostos fundos a grupos relacionados a Hamas.
Uma representante dos jovens palestinos na Itália clamou no microfone: “Intifada fino alla vittoria!“. Mais atrás no corteo eram visíveis bandeiras No Tav, estandartes de associações curdas e símbolos de movimentos transfeministas. Em alguns trechos da manifestação as lideranças de rua repetiam a fórmula: “Torino è partigiana”.
Do ponto de vista organizativo, saiu de Palazzo Nuovo um spezzone composto por universitários, pelo Comitato Vanchiglia e por outras realidades vinculadas ao centro sociale Askatasuna. Na cabeça desse bloco se via um furgão com bandeiras de “Autonomia e Contropotere” e um grande estandarte com os dizeres “Askatasuna vuol dire libertà. Torino è partigiana”, ilustrado com desenhos do fumettista Zerocalcare.
Fontes sul posto registraram também a presença de jovens voluntários preparados para prestar socorro imediato durante o cortejo. Um deles portava nas costas uma mochila vermelha com um frasco de solução fisiológica preso externamente e uma faixa refletiva no braço. “Speriamo di non dover intervenire”, comentaram, ao mesmo tempo em que monitoravam corredores e pontos de maior concentração.
No plano institucional, o ministro della Pubblica Amministrazione, Paolo Zangrillo, declarou à agência AGI, durante um evento da Rete Popolare em Novara, que a manifestação “non ha alcun senso perché celebra un gruppo di persone che hanno come caratteristica quella di avere dei comportamenti delinquenziali”. Zangrillo qualificou a história do Askatasuna como uma “saldatura tra pro-Pal, antagonisti e tutti quelli che lavorano in una logica di anti-Stato” e disse que o desfile ofereceu “l’ennesima opportunità a questi soggetti di dimostrare di essere delle persone, dei cittadini perbene”.
Do ponto de vista factual, a mobilização deixou claro o entrelaçamento de pautas: solidariedade à causa palestina, contestação do Estado e reivindicações locais de movimentos sociais. Em campo, a logística da prefeitura e das forças de segurança visava garantir a fluidez do cortejo e prevenir incidentes, enquanto os organizadores mantinham as faixas e repertórios discursivos alinhados às temáticas de resistência e libertà.
Este relato foi elaborado com base em observação direta, registros fotográficos e declarações oficiais colhidas no local. Continuaremos o acompanhamento para verificar desdobramentos, eventualizações judiciais ligadas às investigações citadas e a evolução do diálogo entre autoridades e movimentos.





















