Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: a possibilidade de presença de agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement) nas Olimpíadas de Milano‑Cortina 2026 abriu um front político em Roma depois de uma declaração do ministro do Interior, Matteo Piantedosi. Em evento público — o Fórum Internacional do Turismo — o ministro afirmou que “não nos consta“, palavra que, praticada com cautela, não funcionou como uma negação categórica e desencadeou reações imediatas da oposição.
Na explicação oferecida no encontro, Piantedosi sublinhou com precisão técnica: “Premesso che não nos consta in questa fase, in questo momento — ma anche se fosse, le delegazioni straniere scelgono loro all’interno del proprio ordinamento a chi rivolgersi per assicurare la cornice di sicurezza alle delegazioni”. Em outras palavras, segundo o ministro, é prática normal que cada delegação estrangeira selecione pessoal de segurança conforme os seus próprios critérios, e isso, por si só, não configuraria irregularidade.
O que para o Executivo soou como normalidade provocou imediata contestação parlamentar. A deputada e líder do grupo Alleanza Verdi e Sinistra na Câmara, Luana Zanella, afirmou que esperava uma retratação clara e disse não ter visto surpresa ou repulsa por parte do ministro diante da hipótese de que “os musculosos homens do ICE possam operar em território italiano”. Zanella exigiu que Piantedosi preste esclarecimentos formais no Parlamento.
O deputado Marco Grimaldi elevou o tom técnico-jurídico do protesto: “A Itália não pode tolerar a presença de forças estrangeiras com funções de ordem pública no próprio território”. Grimaldi lembrou imagens recentes de protestos em Minneapolis como alerta sobre práticas de repressão e anunciou a apresentação imediata de uma interrogazione urgente ao ministro para detalhar eventuais presenças e funções desses agentes durante os Jogos.
O Movimento 5 Stelle também formalizou pedido de esclarecimento parlamentar. O capogruppo em Comissão de Assuntos Constitucionais, Alfonso Colucci, e os colegas Barzotti e Silvestri referiram reportagem do jornal Il Fatto Quotidiano que afirma haver atualmente em território italiano pessoal ligado ao ICE com tarefas relacionadas à segurança estadunidense em vista das Olimpíadas e Paralimpíadas de inverno.
Do lado governamental, repetiu‑se a lógica institucional: coordenação formal e pedido de cooperação entre delegações é prática corrente. Do lado oposicionista, a exigência é por transparência jurídica e política: quem autoriza, que funções serão atribuídas, e sob que quadro normativo atuariam agentes estrangeiros em solo italiano?
Fatos brutos: não houve até agora uma negativa perentória nem prova pública de atuação operacional do ICE durante os preparativos dos Jogos. A narrativa está em aberto e segue sua tramitação no terreno político-institucional. A oposição anuncia medidas parlamentares; o Executivo sustenta rotina de cooperação internacional. Resta ao Parlamento e às autoridades competentes o dever de esclarecimento.
Apuração em curso. A Espresso Italia acompanhará as convocações parlamentares e eventuais documentos oficiais, traduzindo a complexidade em fatos verificáveis para o leitor.






















