Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. O governo italiano confirmou que agentes do ICE estarão em solo nacional durante as Olimpíadas de Milano‑Cortina para prestar apoio ao serviço de segurança do Departamento de Estado dos Estados Unidos. A informação foi confirmada por porta‑voz da agência, em seguimento a relatos diplomáticos antecipados à imprensa.
Segundo comunicado oficial do órgão americano, a participação envolve a unidade de segurança interna (HSI) do ICE, que dará suporte ao Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado e colaborará com as autoridades do país anfitrião “para avaliar e mitigar riscos ligados a organizações criminosas transnacionais”. A nota enfatiza que o ICE não realizará operações migratórias no exterior e que todas as atividades de segurança permanecerão sob a autoridade italiana.
O anúncio motivou um encontro hoje entre o ministro do Interior, Piantedosi, e o embaixador dos Estados Unidos. A reunião foi confirmada por autoridades e visa esclarecer os termos da presença e as áreas de atuação dos agentes americanos durante os jogos.
À margem das cerimônias do Dia da Memória no Quirinale, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Tajani, defendeu a operação. “Trata‑se de um corpo dedicado ao antiterrorismo”, disse, acrescentando: “não é que chegam aqueles que patrulham as ruas de Minneapolis. Não é que estão chegando as SS”. Tajani insistiu ainda que “o problema não é que chegam pessoas armadas com rostos cobertos”.
Repercussões políticas e sociais foram imediatas. O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, criticou duramente a presença dos agentes, em rede na Rtl 102.5. “Da minha perspectiva como italiano, não me sinto tutelado por Piantedosi. A presença do ICE durante os jogos é um problema. Esta é uma milícia que mata, portanto não são bem‑vindos a Milão”, afirmou, exigindo que o governo se posicione e lembrando que a segurança do vice‑presidente americano Vance poderia ser garantida por escoltas alternativas.
Do espectro parlamentar, Maurizio Lupi, presidente de Noi Moderati, sustentou que a vinda dos agentes seria “superflua”, porque a segurança dos grandes eventos internacionais já é assegurada pelas forças de polícia italianas, com treino e profissionalismo reconhecidos. “Cada delegação escolhe a própria escolta, mas agora a presença do ICE é inapropriada”, declarou.
O ex‑primeiro‑ministro Giuseppe Conte também usou as redes sociais para condenar a decisão. Referindo‑se a episódios de violência nos EUA, Conte pediu limites claros ao governo italiano e cobrou uma posição mais firme por parte da gestão atual.
Fatos brutos: a coordenação operacional, limites de atuação e responsabilidade pelas medidas de segurança seguirão sendo objeto de contatos bilaterais. A agenda oficial prevê a continuidade das conversações entre autoridades italianas e representantes americanos nos próximos dias, com foco em garantir que toda ação se dê sob a autoridade italiana e em conformidade com a legislação nacional.
Este texto resulta de cruzamento de fontes diplomáticas e declarações públicas, sem conjecturas: a realidade traduzida é que agentes do ICE estarão presentes em Itália durante as Olimpíadas de Milano‑Cortina, e o debate político sobre limites e tutelas permanece aberto.






















