Por Giulliano Martini — Em apuração in loco e com cruzamento de fontes, o congraçamento técnico realizado na Università degli Studi Niccolò Cusano, em Roma, centralizou um diagnóstico claro sobre a condição dos adolescentes e o papel das instituições que os cercam. O seminário “Genitori al bivio, Figli in cammino: accompagnare l’adolescente oggi” reuniu especialistas para mapear fragilidades, práticas de intervenção e caminhos de prevenção.
Os trabalhos foram abertos pela psicóloga e psicoterapeuta Roberta Costantini, moderadora e idealizadora do evento. Em participação remota, o reitor Fabio Fortuna destacou que um fórum de caráter técnico acerca de temas tão sensíveis é uma janela de oportunidade para enfrentar problemas complexos que atravessam a vida coletiva e a vivência individual em ritmo de transformações aceleradas.
O presidente Massimo De Meo, em discurso que privilegiou a objetividade, pediu a transição de uma postura reativa para uma cultura de prevenção. De Meo evocou a memória e o trabalho de Maria Rita Parsi, ressaltando seu espírito de serviço e a capacidade de articular alianças entre família, escola, profissionais e o Terceiro Setor. Dois conceitos foram sublinhados como orientadores práticos: o Holding — entendido como mecanismo de contenimento e suporte para adolescentes e pais — e a adoção de expectativas realistas e minimais, capazes de reconhecer progressos mesmo quando pequenos, especialmente diante de situações de significativa fragilidade.
No painel, os debatedores mapearam o quadro de risco e proteção na adolescência. Chamaram atenção para o diálogo entre nativos digitais e adultos, o padrão de modelos familiares susceptíveis a risco e a necessidade de prevenção estruturada. Foram igualmente enfatizados temas práticos: proteção do adolescente em conflitos familiares, exigência de integração entre as áreas jurídica e psicoterapêutica, além dos fatores de risco mais recorrentes — uso de substâncias, retirada social e uso problemático das redes sociais — e os correspondentes fatores de proteção, com ênfase na escuta e na confiança como ferramentas educacionais.
Encerrando o encontro, o professor Michele Di Nunzio apontou a influência de uma «psicologia ingênua» — uma matriz de expectativas implícitas e automatismos culturais — que muitas vezes orienta as reações de pais e educadores. Di Nunzio propôs que se reconheçam as raízes simbólicas e narrativas do imaginário social — da referência trágica de Edipo e Antígona a figuras como Telemaco e Amleto — para evitar interpretar o conflito geracional como ruptura definitiva, quando ele pode e deve ser compreendido como passagem de crescimento.
O balanço técnico do evento reafirma, com dados qualitativos produzidos pelos especialistas presentes, que a resposta à emergência adolescente exige operações coordenadas: fortalecer a atuação preventiva nas escolas, oferecer suporte concreto às famílias e institucionalizar abordagens integradas entre serviços socioeducativos, clínicos e jurídicos. Em linguagem direta: sem diálogo estruturado e contenção profissionalizada, a tendência é que sinais precoces de sofrimento evoluam para quadros mais graves.
Como correspondente com longa experiência na Itália, registro que a prática recomendada pelos palestrantes converge para políticas públicas e protocolos locais que valorizem intervenções precoces, formação continuada de profissionais e campanhas informativas que restituam aos pais ferramentas de observação e intervenção não punitivas. O caminho exigido é técnico, integrado e permanente — não episódico.






















