Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. A administração de Donald Trump ordenou a retirada da bandeira arco-íris hasteada no Stonewall National Monument, em Christopher Park, Greenwich Village, desencadeando uma reação imediata da comunidade LGBTQ+ e de autoridades locais. O estandarte, símbolo reconhecido da luta por direitos civis, foi silenciosamente arriado do mastro localizado no interior do parque, administrado pelo National Park Service.
O local rememora os motins de 1969, deflagrados após uma batida policial no Stonewall Inn — episódio considerado a faísca do ativismo moderno pelos direitos das minorias sexuais nos Estados Unidos e no mundo. A bandeira, além de objeto de turistas e moradores, era um marco visual ligado à memória do movimento.
Em nota oficial, o National Park Service afirmou que a remoção não tem caráter político: trata-se do cumprimento de um memorando federal datado de 21 de janeiro de 2026. Segundo o documento, as propriedades federais devem limitar a exposição de bandeiras àquelas oficiais: a bandeira dos Estados Unidos, a do Departamento do Interior e o estandarte POW/MIA, dedicado a prisioneiros de guerra e desaparecidos.
A justificativa técnica, no entanto, não convenceu lideranças municipais. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, empossado em janeiro, caracterizou a ação como um “ato de cancelamento”, ressaltando que a cidade é berço do movimento LGBTQ+ e que nenhum ato administrativo apagará essa história. Fontes do gabinete municipal e ativistas descrevem o episódio como mais um ponto de atrito entre a Casa Branca e comunidades por direitos civis.
O episódio sucede medidas adotadas em 2025, logo após o retorno de Trump à presidência, quando referências a pessoas trans foram removidas do site do monumento de Stonewall e o acrônimo LGBTQ+ foi substituído por LGB, em cumprimento a um decreto que adota uma concepção restrita de gênero.
Apesar da retirada do mastro central, a bandeira arco-íris segue hasteada em postes de propriedade municipal nas imediações do parque e em cercas contíguas. Ativistas, liderados por figuras históricas como Ann Northrop, organizaram manifestações espontâneas no local e prometeram uma resposta organizada.
Para a tarde de quinta-feira foi programado um ato público que visa içar novamente o estandarte no mastro do monumento em um gesto de desobediência civil, alinhado ao espírito de resistência que definiu Stonewall há 57 anos. Representantes institucionais locais anunciaram intenção de desafiar a diretiva federal, o que pode gerar novas disputas jurídicas entre autoridades municipais e o governo federal.
Esta redação manterá acompanhamento permanente do caso, com apuração em campo e cruzamento de documentos oficiais, calendários de atos públicos e declarações das partes envolvidas, para trazer o raio-x dos desdobramentos em tempo real.






















