Tomaso Montanari está correto ao estabelecer o tom do debate: já não estamos mais no tempo de uma dialética interna tolerante a nuances e a divergências públicas que, em outros momentos, podiam conviver no mesmo partido. O quadro mudou. Frente aos ataques que visam o Estado de direito, o direito e a convivência pacífica entre cidadãos e entre Estados, é imperativo que o Partido Democrático (PD) faça um esforço de coesão e clareza estratégica.
Da minha apuração e do cruzamento de fontes que realizei, fica claro que o debate sobre o referendo da separação das carreiras dos magistrados não é um detalhe técnico do calendário político: é um momento de confirmação de rumo. Em jogo está a escolha entre reafirmar a centralidade da democracia e das instituições ou abrir espaço para uma deriva autoritária e para práticas que favorecem a lei do mais forte.
Não se trata, aqui, apenas de posicionamentos internos ou de matizes ideológicas. Trata-se de uma emergência democrática. Quando setores do espectro político empurram por reformas que enfraquecem os equilíbrios entre os poderes, a resposta não pode ser a hesitação. O PD não pode, em minha avaliação técnica e factual, permitir-se a fragmentação nessa hora: a divisão interna enfraquece a resistência institucional que protege direitos e garantias fundamentais.
O referendo será um verdadeiro ponto de bifurcação: ou se caminha para o desmonte progressivo de mecanismos que sustentam a independência judicial e o Estado de direito, ou se reafirma a importância dessas instituições para a vida pública italiana. Esse é o cerne do chamado à unidade: não estou aqui para deliberar sobre o mérito técnico do questionamento referendário, mas para registrar que a sua aceitação terá efeitos práticos profundos sobre o sistema democrático.
Portanto, a exigência que emerge dos fatos é direta: aqueles dentro do PD que optarem por alinhar-se com a direita pelo voto a favor do referendo devem, com honestidade política, reconsiderar sua permanência no partido ou, ao menos, reconhecer que sua posição enfraquece uma frente ampla que precisa ser coesa contra um projeto de desinstitucionalização.
O desafio é claro e o tempo é curto. As forças que advogam por uma democracia iliberal, securitária e desigual não fazem concessões; atuam para modificar, de maneira estrutural, os equilíbrios constitucionais. Numa leitura direta dos fatos, a melhor resposta por parte dos democratas é a unidade estratégica e a clareza pública de posições.
Da minha experiência e da verificação rigorosa das informações, esta é a linha que preserva a estabilidade institucional e a confiança pública: resistir, afirmar o valor do Estado de direito e tratar o referendo não como uma disputa conjuntural, mas como uma encruzilhada de consequências duradouras para a República.






















