Peter Gomez, co-diretor de Il Fatto Quotidiano e diretor do site do jornal, afirmou nesta quinta-feira em audiência na Camera que a reação em nome do combate às fake news pode abrir um precedente perigoso na Europa. O comentário ocorreu durante o seminário organizado por Barbara Floridia, presidente da Comissão de Vigilância da Rai, intitulado Le sfide dell’informazione.
Em termos diretos e com o rigor de quem cruza fontes, Gomez disse que as “fake news são uma fake news” no sentido de que existem, mas sua capacidade de moldar a opinião pública é limitada. No entanto, destacou, elas têm hoje outra função prática: servem tanto aos editores para reforçar a narrativa de maior confiabilidade dos seus conteúdos quanto à política como argumento para instituir mecanismos de controle do que seria o “justo, o belo e o verdadeiro”.
“O que está acontecendo na Europa em nome da luta contra as fake news é muito perigoso”, afirmou Gomez. “Quem decide o que é verdade e o que não é?” A pergunta foi acompanhada de referência ao episódio recente citado como “caso Barbero“, lembrando que situações pontuais mostram os riscos de intervenções que definam, de cima para baixo, o que deve ser considerado verídico.
O tom do diretor foi de alerta técnico: sem teorias conspiratórias, com preocupação institucional. Trata-se, disse ele, de um problema que exige apuração in loco e cruzamento de informações, não a criação de “tribunais” que corrijam conteúdos por decisão administrativa ou política. O diagnóstico é claro: existe uma tentação regulatória que, se não monitorada com rigor democrático e transparência, pode comprometer a liberdade editorial.
Em linguagem jornalística pura: os fatos brutos apontam para um uso instrumental do rótulo “fake news“. De um lado, interesses comerciais e de audiência; de outro, um atalho político para justificar controles que, em essência, definem padrões de verdade. Para Gomez, esta dupla função transforma o debate sobre desinformação em uma armadilha institucional.
Além do debate sobre desinformação, a sala da Câmara também acompanhou decisões do governo anunciadas em notas oficiais do dia:
- O Conselho de Ministros aprovou, por proposta do ministro do Ambiente e da Segurança Energética, Gilberto Pichetto Fratin, o Piano di bacino — stralcio assetto idrogeologico do distrito hidrológico do Apenino Setentrionale, destinado à gestão do risco por dissestos de natureza geomorfológica (PAI dissesti).
- Foi deliberado um novo financiamento de 11.135.000 euros, por proposta do ministro da Proteção Civil Nello Musumeci, para intervenções relativas ao estado de emergência declarado após os eventos meteorológicos extraordinários ocorridos entre 19 e 20 de outubro de 2024 na ilha de Stromboli, comuna de Lipari (Messina).
- O Conselho também aprovou, a proposta do Presidente Giorgia Meloni, a nomeação do advogado Antonino Geronimo La Russa como presidente do Automobile Club d’Italia, com paridade de pareceres favoráveis das comissões parlamentares competentes.
- O ministro para Assuntos Regionais e Autonomias, Roberto Calderoli, prestou informação sobre entendimentos preliminares entre o Governo e as regiões Ligúria, Lombardia, Piemonte e Veneto em matéria de tutela da saúde, proteção civil, profissões e previdência complementar, segundo o previsto pela legislação sobre autonomia diferenciada.
Registro factual e sem ruído: o pronunciamento de Peter Gomez é um alerta institucional sobre os limites democráticos de intervenções contra a desinformação. O recado é técnico e político ao mesmo tempo: combater conteúdos falsos é necessário, mas isso não pode servir de pretexto para criar mecanismos que centralizem a decisão sobre a verdade.
Apuração: entrevista e intervenções públicas compiladas a partir da sessão na Camera durante o evento Le sfide dell’informazione, com cruzamento das notas oficiais divulgadas pelo Conselho de Ministros no dia.






















