Por Giulliano Martini
Um texto recente assinado por Stefano Maciocchi reacendeu um debate que toma forma quando fatos violentos se misturam a cenários políticos sensíveis. Maciocchi, testemunha de uma época que definiu o termo anos de chumbo, afirma que não se sente em condição de excluir a hipótese de uma estratégia da tensão por trás dos episódios de violência em Turim, onde grupos encapuzados devastaram a cidade e agrediram duramente um agente da polícia.
O relato ganha gravidade pela referência direta à tática histórica de instrumentalizar atentados e provocações para moldar a opinião pública e abrir caminho a medidas autoritárias. Maciocchi recorda precedentes: as leis fascistíssimas adotadas após supostos atentados contra Mussolini e a atribuição pelos nazistas aos comunistas do incêndio do Reichstag. Para ele, as declarações de integrantes do governo e da direita que defendem a ampliação do estado de exceção ou o prolongamento de medidas de contenção têm um odor familiar — o mesmo das estratégias de manipulação política do passado.
Como repórter que privilegia o cruzamento de fontes e a verificação dos fatos, registro aqui duas linhas simultâneas: primeiro, os fatos brutos — tumultos em pontos centrais de Turim, agressões a agentes e destruição de patrimônio urbano — exigem investigação rigorosa e responsabilização imediata dos responsáveis. Segundo, a análise política não pode excluir sinais de instrumentalização por grupos ou atores que encontrem na escalada de violência um meio para fins políticos.
Não há, até o momento, evidência pública definitiva que comprove uma regia organizada por setores da direita neofascista. O que existe, e deve ser destacado, é um padrão histórico: atos provocatórios seguidos de campanhas midiáticas e propostas legislativas que restringem liberdades. É esse padrão que obriga o observador a permanecer alerta e a exigir investigações independentes, transparentes e rápidas — passos necessários para evitar que a narrativa pública seja capturada por interesses que visam leis liberticidas.
Ao mesmo tempo, é imprescindível separar demonstrações civis legítimas e os centros sociais — os centri sociali frequentemente citados como alvo retórico — de ações praticadas por milícias ou por grupos conspiratórios. A atribuição automática de culpa a movimentos sociais, sem provas, reproduz justamente a lógica de desinformação que historicamente antecedeu medidas autoritárias.
Resumo do cenário: fatos violentos confirmados, hipóteses abertas, necessidade de investigação e vigilância cívica. O diagnóstico exige resposta institucional proporcional: apuração judicial efetiva, proteção dos direitos fundamentais e rejeição a soluções simplistas que demonizem atores sociais sem provas.
Outro foco — formação profissional e os Jogos de Inverno
Em notícia separada, empresas e instituições aproveitam a janela dos Jogos Olímpicos de Inverno Milano‑Cortina 2026 para iniciativas de capacitação. A Coca‑Cola HBC Italia, em parceria com a Junior Achievement Italia, promoveu as “Coca‑Cola horeca masterclass: verso i Giochi olimpici invernali”, um ciclo de masterclasses gratuitas voltadas à formação em marketing, hospitalidade e turismo.
O projeto, inserido no programa #YouthEmpowered, concluiu-se com a concessão de 10 bolsas de estudo de 4.000 euros e a oferta de experiências de job shadowing durante os Jogos, permitindo aos selecionados acompanhar gestores da Coca‑Cola no trabalho de organização de um grande evento internacional. Segundo Giangiacomo Pierini, diretor de corporate affairs & sustainability da empresa, a intenção é transformar a plataforma olímpica em legado formativo e oportunidade concreta de inserção profissional para jovens.
Essas iniciativas ilustram outra face das grandes competições: além dos riscos políticos e de segurança que exigem atenção, surgem também oportunidades práticas de formação que podem gerar valor duradouro para territórios e cadeias produtivas. Na cobertura responsável, tanto a necessidade de prevenir abusos quanto a de mapear oportunidades devem estar no centro da agenda jornalística.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e transparência: a realidade traduzida sem ruídos.






















