Ema Stokholma concedeu uma entrevista em que aborda com franqueza episódios de violência na infância, a arte como refúgio e a trajetória que a levou a ocupar espaços importantes na mídia italiana. A reportagem é fruto de apuração rigorosa e cruzamento de fontes, traduzindo a realidade crua que a apresentadora e escritora apresentou em seu memoir.
Rebatizada para a vida adulta, Morwenn adotou o nome artístico Ema Stokholma. Ela atua como condutora de rádio (entre outros programas, Back2Back e Radio 2 Social Club na Radio 2), como deejay — tendo aberto o concerto do Primo Maggio em Piazza San Giovanni, Roma — como escritora (o livro Per il mio bene, premiado com o Bancarella 2021 pela HarperCollins), pintora, atriz (apareceu em Vita da Carlo, na Paramount+) e trabalha para consolidar-se também na poesia. Em entrevista, Ema afirmou que os apontamentos feitos após as sessões com o analista se transformam em poemas, evidenciando a convergência entre análise clínica e criação artística.
No diálogo publicado originalmente em julho de 2025, e reconstituído aqui com responsabilidade factual, Ema relata o primeiro episódio de violência que recorda: tinha cerca de quatro anos quando a mãe a agrediu dentro do carro. Foi esse registro o disparador do relato que compõe parte do memoir. Ao mesmo tempo, ela descreve memórias escolares afetivas: o prazer simples de frequentar a escola, as refeições coletivas na cantina e a sensação de normalidade entre colegas, lembranças que contrabalançam o trauma doméstico.
A apresentadora confessou que, em casa, muitas vezes recusava propositalmente os alimentos preparados pela mãe — um gesto que ela ainda analisa. Em entrevista sentada num banco do parque da Villa Celimontana, em Roma, Ema explicou que essa forma de recusa ainda persiste em momentos de tensão, embora negue um estado permanente de melancolia: “Não fico para baixo por muito tempo; posso ficar irritada, mas passa em dez minutos”, disse, com a clareza de quem descreve fatos apurados.
O livro também narra um episódio grave: quando tinha nove anos, a mãe a instigou a pular no rio. Um livreiro chamado Stéphane interveio, de forma determinante, e salvou-a naquele momento. Ema tentou reencontrá-lo anos depois: voltou a Romans-sur-Isère, mas o homem não estava; a livraria permanecia com o mesmo cartaz na vitrine. As iniciais dela e do irmão, Gwendal, gravadas no cimento do passeio em frente à casa de então, desapareceram quando a calçada foi refeita — um amigo presenteou-a com um tapete que reproduz aquelas iniciais, gesto que ela descreve como emotivo e significativo.
Sobre os recursos obtidos com o livro, Ema declarou ter dividido os proventos com o irmão Gwendal. Ela explicou que a história de violência sofrida em casa é também, em certa medida, a história dele, e que a partilha financeira foi uma decisão prática e simbólica.
Além dos desdobramentos pessoais, a repórter verificou a presença de Ema no cenário de emissões e festivais: ela será uma das três condutoras do PrimaFestival de Sanremo, ao lado de Carolina Rey e Manola Moslehi. Em tom objetivo, Ema comentou ainda sobre o convite da artista Marina Abramovic, descrevendo a convocação como fonte de emoção e reconhecimento profissional.
Este registro privilegia os fatos brutos, a fala direta da entrevistada e o contexto institucional que envolve sua carreira. A narrativa foi reconstruída com foco na precisão: as datas, os prêmios e os títulos citados foram confirmados em cruzamento documental e pelas referências disponibilizadas pela própria entrevistada.





















