Por Riccardo Neri, La Via Italia
Milão — A partir de 11 de fevereiro de 2026, no Museo nazionale Scienza e Tecnologia Leonardo da Vinci, a construtora Webuild inaugura a exposição Evolution, um projeto que combina mostra física, museu digital e um volume editorial para narrar como as infraestruturas moldaram a transformação econômica e social da Itália ao longo de 120 anos.
Depois da experiência em Roma, a versão milanesa permanece aberta até 7 de abril de 2026 e organiza o acervo em cinco salas temáticas: Energia, Água e sistemas hídricos, Metropolitano e mobilidade urbana, Grandes edifícios e infraestrutura urbana e Autoestradas, pontes e ferrovias de alta velocidade. Cada espaço funciona como uma camada analítica: a ficha técnica explica inovações de engenharia e materiais; a ficha histórica posiciona a obra no tempo e no tecido nacional; a leitura cultural conecta obra, arte e sociedade; e a ficha de benefícios quantifica impactos reais — empregos, energia limpa, mobilidade e sustentabilidade de longo prazo.
O itinerário expositivo não é apenas cronologia, mas uma arquitetura de sentidos. Fotografias inéditas e filmagens históricas documentam decisões e contradições; áreas interativas permitem que o público visualize o fluxo de dados e as operações que mantêm a infraestrutura funcionando, como se observasse o sistema nervoso das cidades em operação.
No final do percurso há uma zona dedicada ao Edutainment, pensada para aprendizado imersivo: vídeos tridimensionais e gráficos interativos permitem ao visitante entrar virtualmente em uma galeria subterrânea, escutar o ronco de uma Tunnel Boring Machine (TBM) em ação e participar, passo a passo, da construção de um ponte. Em outra cena, o público é colocado no centro de um canteiro digital onde escolhe máquinas, coordena operações complexas, supervisiona protocolos de segurança e pilota virtualmente pesados equipamentos. O resultado é uma tradução prática do que, na vida real, se resolve por camadas de tecnologia, logística e governança.
A segunda parte do projeto é 100% digital: o arquivo da Webuild constitui uma memória histórica única, com documentação sobre 120 anos de grandes obras executadas pelas empresas hoje integradas no grupo. Esse arquivo digital é concebido como um repositório público e consultável, elemento essencial para transformar conhecimento tácito em capital coletivo — um alicerce digital que sustenta políticas públicas, projetos privados e pesquisas acadêmicas.
Como analista que acompanha a arquitetura digital e física das cidades europeias, vejo em Evolution uma proposta que vai além da celebração técnica: é uma cartografia crítica das escolhas que tornaram a Itália industrialmente competitiva. A exposição explicita como a construção de redes de energia, água e transporte não é apenas engenharia, mas ingrediente estratégico para a resiliência e a soberania econômica do país.
Para profissionais de infraestrutura, gestores públicos e cidadãos interessados no futuro urbano, a mostra oferece uma visão integrada — técnica, histórica e social — sobre o papel das obras no cotidiano. Em termos práticos, Evolution atua como um manual visual sobre o impacto das decisões de engenharia, uma interface entre passado e futuro onde o algoritmo como infraestrutura e a máquina pesada somam-se ao tecido social que chamamos de cidade.
A visita em Milão representa, portanto, uma oportunidade para compreender os mecanismos que movem a competitividade italiana em escala global e para enxergar as infraestruturas como ativos estratégicos, não apenas como obras isoladas.






















